NAVEGUE PELO BLOGUE

20 de fevereiro de 2018

IGREJA MATRIZ UMA PIA BAPTISMAL DO SÉCULO XVI

Pia baptismal da Igreja Matriz de Fafe


Uma visitação datada de 1571 refere que, nessa altura, a Igreja de Santa Eulália de Fafe estava em obras de beneficiação, na nave e na capela-mor.
Nessa visitação, feita por D. João de Sousa, da Colegiada de Guimarães, foi dada ordem ao pároco que mandasse fazer uma pia baptismal nova.
E assim aconteceu. A pia foi talhada em granito fino da região, para ser colocada no baptistério, junto à entrada principal do templo.
Durante 442 anos a pia baptismal foi mantida no local, e nem a profunda remodelação da igreja, realizada no século XVIII, terá mexido com ela.


Pia baptismal do séc. XVI no interior do templo
Foto - SIPA - Monumentos PT


Mais de dois séculos depois, em 2013, os responsáveis pelo último restauro da Igreja Matriz local, resolveram retirar a antiga pia do baptistério, encostando-a a uma das paredes das Capelas Mortuárias, à intempérie, sujeita a agressões…
No local do antigo “monumento”, da segunda metade do séc. XVI, foi colocada uma esguia e moderna pia que, outrora, serviu para conter agua benta.


Aspecto actual do "baptistério"


Partindo do princípio de que somos todos, (também perante a Lei), responsáveis pelo Património Histórico, esta foi uma prática, no mínimo, questionável.
As igrejas são lugares de culto e são também Património Religioso que devemos preservar, o mais possível, no seu estado original.
 Os milhares de pessoas que receberam o sacramento do baptismo naquela “velha” pia, certamente gostavam de a ver, conservada, em local apropriado… eu, particularmente, também…


18 de fevereiro de 2018

FAFE NA REVOLUÇÃO DO MINHO EM 1846 O Relato do Padre Casimiro (2)



Ermida da Lagoa



Perseguição da Lagoa a Fafe

« Junto o povo na Lagoa depois de andada uma grande légua por aquelas íngremes paragens, marchamos a Moreira de Rei com a mesma melodiosa música dos businões. Como eu, porem, corria mais que os outros, por estar persuadido que ia apanhar os soldados à unha e por me lembrar que, ficando com as armas deles, me podia depois bater com toda a tropa de Portugal, ia sempre na frente só e a grande distância do povo.
Antes de mim e sem eu sentir, tinham marchado dois rapazes corajosos e desembaraçados, e próximo a Moreira, que distava da Lagoa outra grande légua, fizeram-me sinal ainda de longe que já avistavam a tropa. Hesitei um instante, por não distinguir se pertenciam à tropa ou ao povo, mas lembrando-me que nem a cavalaria seria capaz de me apanhar, correndo eu em caso de perigo por alguma ladeira abaixo, marchei a eles e me mostraram a tropa, parte já assentada e parte a assentar-se, para descansar no fundo da encosta a distancia de tiro de caça.

Igreja Paroquial de Moreira do Rei


Disse-lhes então em voz alta – rapazes aqui está o padre Casimiro, comandante do povo de Vieira, a quem procurastes para prender; ou vos rendeis ou nenhum de vós fica hoje vivo – Logo se puseram todos a pé, mas como não deram sinal de se render, disparei para eles a pistola de cavalaria que levava, e cada um dos dois rapazes que estavam ao meu lado disparou igualmente a sua clavina, e a tropa nos respondeu com uma descarga. Carregámos de novo e repetimos outra descarga, a que a tropa respondeu do mesmo modo.

 A este tempo chegou o povo, que ficara todo na Lagoa, e começaram então as grandes descargas de lado a lado, e comecei eu em seguida com voz muito forte e sonora a gritar ao povo das freguesias vizinhas – toquem os sinos a rebate, acudam, acudam à estrada, que lá vai uma grande malta de ladrões, cerquem, cerquem, acudam à estrada, toquem os sinos a rebate.

Aí começaram logo os sinos a rebate em todas as freguesias, e o povo a correr à estrada com as armas que cada um tinha mais à mão, e eu marchei pela direita da estrada pelas matas abaixo a correr quanto podia, para lhes tomar a frente, animando todo o povo que ia saindo.

Marchou-se daí em diante em descargas cerradas, a légua desde Moreira até Fafe, avançando o povo quanto podia, e fugindo a tropa com igual velocidade em continuas descargas, de sorte que só à entrada da grande planície da Cumieira, subúrbios de Fafe, pude pôr-me ao lado da tropa, marchando eu pela planície e a tropa pela estrada da esquerda à distancia de tiro de pistola, porque entre mim e ela metia-se apenas um rego ou pequeno ribeiro.

Apareceu-me no princípio da Cumieira um rapaz da Vila acompanhado por um pequenito, o qual eu mandei que fosse de carreira à torre de Fafe tocar os sinos a rebate, e não tardou a ouvirem-se.
Passei a longa planície de toda a Cumieira, próximo sempre da tropa, dizendo-lhe de contínuo em voz alta quem era, e em toda ela, indo a descoberto, não me deram nem uma única descarga.



Sineiras da Igreja Matriz de Fafe


 Ao subir a tropa da Ranha para cima à entrada de Fafe, sai eu de frente a toda ela numa leira sobranceira à quelha, por onde ela subia e lhe repeti a fala que havia feito do alto de Moreira, acompanhado ali somente pelo rapaz de Fafe, por o povo vir atrás da tropa.
Como me não responderam, parando apenas todos os soldados e oficiais a ouvir-me atentamente o que lhes dizia, disparei-lhes de novo a pistola e nem então me deram uma descarga, retirando-me em seguida para perto da estrada à entrada de Fafe, e assentando-me a vê-los passar perto de mim. O rapaz de Fafe vinha saber o motivo daquele alvoroço. Porque em cada lugar ouviam-se descargas ao longe, e quase no mesmo instante ouviram-se já perto, tal era a velocidade, com que corria tanto o povo como a tropa.
Parou então o fogo por um pouco, enquanto a tropa comeu alguma coisa em Fafe, e nós também nos arredores.»


Ponte do Ranha



CONTINUA…


 IN: Apontamentos para a história da Revolução do Minho em 1846 ou da Maria da Fonte, Por Pe. Casimiro José Vieira, Braga, Typographia Lusitana, 1883. 

17 de fevereiro de 2018

FAFE NA REVOLUÇÃO DO MINHO EM 1846 O Relato do Padre Casimiro (1)

Aspecto da igreja de S. Gens



Começamos aqui a transcrição dos relatos, em território fafense, que o Pe. Casimiro José Vieira, líder destacado na revolução popular “Maria da Fonte”, escreveu no seu livro: “Apontamentos para a História da Revolução do Minho em 1846 ou da Maria da Fonte”, publicado em 1883.

Por diversas vezes, Fafe foi palco da guerrilha entre as forças populares e as tropas de Costa Cabral.

No seu trabalho, Pe. Casimiro, “o guerrilheiro”, inicia a narração dos acontecimentos em território do actual concelho de Fafe, com um episódio ocorrido em terras de S. Gens, que passamos a transcrever:

«(…) Chegando depois às Chãs perto de S. Gens, encontrámos aí outra força de povo armado.
Perguntaram-nos por novidades, disse-lhes o que me pareceu melhor para os animar, mostrando-me sempre interessado, como com efeito estava, em que o povo vencesse, para que não entrassem em desconfiança, por me terem visto ir para baixo e voltar logo para cima.
Dei-lhes também os conselhos que julguei mais acertados para o bom êxito do ataque à tropa e me despedi.
Tendo nós andado pequena distancia, aí vem o povo a correr sobre nós, dizendo com vozes de desconfiança – Alto, alto, parem aí!!
Logo entendi que estávamos com o aperto porque eu já esperava, mas mostrando que a consciência nada me remordia, como com efeito assim era, marchei também a galope para eles e muito alegre no exterior mas muito triste no interior.
 Diziam eles – Não é nada consigo, é com esse que aí vai, façam alto, havemos de matá-lo, porque é espião cabralista, que ontem passou para baixo. Retire ao lado para o matarmos.
A isso respondi eu, sem saber ainda, quem ele era – Antes de o matar ouçam-me.



Aspecto da Igreja Paroquial de S. Gens


Estando o movimento popular circunscrito a 4 léguas somente, desde Braga até Vieira, estamos perdidos, porque a tropa, que é muita nos abafa em pouco tempo, é preciso que a sublevação se estenda, não só a todo o Minho, mas, pelo menos também a Trás-os-Montes e isso com a maior brevidade. Este homem vai fazer a revolução na província de Trás-os-Montes e por consequência é para nós um grande prejuízo matarem-no – Lidei quanto pude para o salvar, mas o povo ateimava sempre, que era falso, e que havia de ser morto.

Apeou ele e atirando a capa para o lado, ofereceu-se a ir na frente do povo para o fogo, armado ou desarmado, que se obrigava a todos os sacrifícios. Então um deles, que estava também para o matar, de arma aperrada e semblante carregado, mas que se convenceu de que eu tinha razão, disse-me baixo – Fie o homem senão é morto.
- Disse eu então – Pois bem eu fico por este homem – Olhe lá no que se mete!! Replicaram eles. Sei que é homem de bem, que não me há-de deixar ficar mal, e eu cá fico na terra para pagar por ele – acrescentei eu e então o deixaram.


Vista parcial da Chã de S. Gens


Soube depois que o homem era morgado do Serrado de Monte- Alegre, ia de bigode e pera o que era perigoso para a segurança pessoal.
Póde ser que tenhamos mais algum encontro – disse-lhes eu – e para que não haja perigo, quero que me deem dois guardas. – Logo se aprontaram dois rapazes desembaraçados, e muito contentes, para nos acompanhar, e marchámos.

Chegados a S. Gens disseram eles – Agora não há perigo, porque vêm aí os de Vilar e outros vizinhos, todos conhecidos e por isso não é necessário acompanhá-los mais.
Pegou então o morgado em dois pintos e deu um a cada um deles, mas nenhum aceitou e se despediram.

Declarou então o morgado, que trazia uma porção grande de pólvora e chumbo para caça em cima do cavalo em que montava o criado, e eu disse que a tirasse fora, porque se o povo descobria tal, ninguém lhe valia. Indo ele então para a  atirar fora, disse o Pereira, que me acompanhava, isso por modo nenhum, nesse caso levo-a eu; eu não tenho medo.

-Pegou pois dela, atirou-a acima da besta em que montava e a levou para Vieira.
Por toda a estrada encontrámos sempre diversas partidas de povo, uns muito contentes a cantar, outros deitando-se e dizendo, nada de ir para a guerra; que nos importa cá a nós a tropa, essa que se bata com outra, nós somos cá para empregados da terra, esses havemos de dar cabo deles, custe o que custar, vamos mas é dar fogo à Justiça, que nos leva tudo. (…)»

IN: Apontamentos para a história da Revolução do Minho em 1846 ou da Maria da Fonte, Por Pe. Casimiro José Vieira, Braga, Typographia Lusitana, 1883. 

11 de fevereiro de 2018

A INAUGURAÇÃO DO COMBOIO EM FAFE NA MELHOR IMPRENSA LISBOETA




A prestigiada revista de Lisboa "Illustração Portugueza" acompanhou os trabalhos de construção da Linha férrea, Guimarães a Fafe, e marcou presença o acto inaugural.

“Com desusado brilho, foi inaugurada no dia 21de julho esta nova linha, situada n’uma das regiões mais pittorescas e alcantiladas do Minho.
Pertence este novo troço, de cerca de 22 kilometros, à Companhia do Caminho de ferro de Guimarães e constitue o prolongamento natural da sua rede.

Sae esta nova linha da estação de Guimarães agarrando-se ao magestoso monte da Penha, encimado com a estatua de Pio IX e um pittoresco hotel, e, durante quatro kilometros, sempre subindo, vae-nos mostrando soberbos panoramas que se estendem desde a cidade de Guimarães até ás alturas do Sameiro.
Rodeado um contraforte do monte da Penha, entra-se então no extensissimo valle de S. Torquato.

É deslumbrante o panorama que a vista alcança; admiram-se no fundo do valle, que vamos percorrendo, os campos viçosos cercados pelas pittorescas arvores de vinho, o vinho d’enforcado.

Ao longe admira-se a massa imponente do sanctuario de S. Torquato, que todos os annos dá origem a uma romaria das mais concorridas do Minho.
Ao longe, no ultimo plano, meio esfumadas, mas imponentes, erguem-se as cumiadas do Gerez.

Passamos outro tunnel e entramos na estação de Paçô, situada no ponto mais alto do traçado, a 150 metros de desnível da estação de Guimarães.
A algumas centenas de metros fica situado o solar do sr. Conde de Paçô Vieira, em privilegiada situação.

D’esse ponto começa a linha a descer n’outro extenso e formoso valle, o de Fareja.
É a secção mais difícil e trabalhosa do traçado. Em alguns kilometros accumulam-se enormes trincheiras e aterros. Há n’essa secção pontos de vista deslumbrantes, especialmente no logar do Sevello, em que foi modificado o traçado primitivo, supprimindo-se um tunnel. Perde-se a vista desde as alturas da Penha até às cumiadas de Lixa. Encontra-se a pequenina estação de Fareja perdida na montanha e passados instantes atravessamos uma sólida ponte de pedra situada sobre o pittoresco rio Sousa, que faria o enlevo dos pintores paizagistas. Começa a ultima subida, mais suave, para Fafe, aonde chegamos deixando á nossa direita a importante povoação de Cepães. Pouco antes de entrar em Fafe outro extenso panorama se desenrola á vista, desde as immediações da Póvoa de Lanhoso até Fafe.

Deve-se a remoção das dificuldades da construção d’esta linha ao sr. Conde de Paçô Vieira, quando ministro.
A construção foi dirigida pelo sr. Engenheiro Francisco Ferreira de Lima, que reviu o traçado supprimindo obras de arte importantes, como dois tunneis, e fazendo importantes economias”.

Reprodução integral: “Illustração Portugueza” nº 76 de 5 de Agosto de 1907

“Hemeroteca Digital” Câmara Municipal de Lisboa


A ilustração

Capa 







Aproveito para agradecer o excelente trabalho já desenvolvido pela Hemeroteca Digital da Câmara Municipal de Lisboa. convidando todos os leitores a visitar. 


10 de fevereiro de 2018

O NOME DE FAFE NÃO DERIVA DA PEQUENA AVE DOM-FAFE



Tem-se, ao longo de muitos anos, disseminado a ideia que o nome Fafe, conhecido desde, pelo menos, meados do século XVII, tem origem na designação popular Dom-Fafe, um vistoso pássaro que é avistado por toda a Europa.

Folheando a 1ª edição (1931) do “Catálogo Sistemático e Analítico das Aves de Portugal”, da autoria do competente ornitólogo J.A. Reis Júnior, li atentamente o capítulo dedicado à espécie Pyrrhula pyrrhula, uma pequena ave vulgarmente conhecida por Pisco-chilreiro, Pimpalhão da India, Tentilhão da India, Cardeal, e ainda Dom-Fafe, mas esta ultima designação surgiu apenas em 1862, altura em que o “sábio Professor Dr. J. V. Barbosa Du Bucage, publicou as suas «Instruções Práticas Sobre o Modo de Coligir, Preparar e Remeter Produtos zoológicos para o Museu de Lisboa», onde inseriu uma lista de aves portuguesas, é que ele (Dom-Fafe) aparece pela primeira vez entre os nomes vulgares das aves portuguesas”, refere Reis Junior que refuta a antiguidade do nome Dom-Fafe, afirmando que “o nome Dom-Fafe, que nunca nos foi possível de recolher do povo que habita simultaneamente os mesmos sítios que o pássaro habita, só temos ouvido, em regra aos passarinheiros e nos mercados; o que nos faz lembrar que a adaptação do nome alemão “dompfaff” ao português deve ter sido uma resultante da divulgação da obra de Brehm (1861) em Portugal e que seu aparecimento entre os nomes vulgares das aves portuguesas não deve ir além do meado do século dezanove”.

Consultados os melhores dicionários em linha, buscando a palavra Dom-Fafe, invariavelmente, é referida a derivação do alemão, Dompfaff.

É minha convicção que a origem do nome da Vila de Fafe não tem nada a ver com nome popular de um pássaro… até porque nunca acreditei que a secular paróquia de Santa Eulália Antiga do nobre concelho de Monte Longo tomasse a designação de uma simples ave, apesar de vistosa.

Para mim, esta “analogia” não passa de um mito que, infelizmente foi e continuará a ser divulgada por especialistas e leigos, porque é muito mais fácil continuar a escrever o já foi dito erradamente antes, do que fazer um trabalho aturado de investigação sobre a verdadeira origem da designação Fafe.

Quanto a outra hipótese de alguns investigadores ligarem o nobre D. Fafes Luz à designação desta cidade e concelho, um dia destes abordaremos o assunto.

FONTES:

Catálogo Sistemático e Analítico das Aves de Portugal (1ª edição, 1931)
Por J.A. Reis Junior

Dicionários em linha na Internet (vários)




9 de fevereiro de 2018

A IMAGEM DA SENHORA DE FÁTIMA DA MATRIZ




Posição actual da imagem a Senhora de Fátima na igreja Matriz



A imagem da Senhora de Fátima, que encontramos no lado da epístola da igreja Matriz de Fafe, foi oferecida, em 1929, por Miguel Gonçalves da Cunha e esposa, Júlia Cunha.
A bela imagem, em tamanho natural, foi encomendada à prestigiada casa bracarense, Domingos Alves Fânzeres & Filhos. A mesma casa escolhida para esculpir a primeira imagem do Santuário de Fátima, em 1920. Na altura, o artista Domingos Fânzeres entregou o trabalho ao conhecido e célebre santeiro de Coronado, José Ferreira Thedim.

A imagem para a igreja de Santa Eulália chegou a Fafe no sábado, dia 25 de Maio de 1929. Foi depositada na capela particular da Senhora do Carmo, anexa à Casa do Santo Velho.
No dia seguinte, domingo, 26 de Maio, pelas 9 horas, a imagem saiu, em procissão, até à igreja Matriz.

Às 10h30 foi celebrada uma missa solene com “música adequada ao acto pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Fafe”

Logo que a imagem da Senhora do Rosário de Fátima ficou concluída, esteve exposta na “vitrine da casa Fox”, na cidade de Braga.



Imagem da Senhora de Fátima na igreja Matriz de Fafe




A este propósito, o periódico “Correio do Minho” publicou uma coluna, elogiando os santeiros locais e a ímpar beleza da imagem de Fafe.

É delicadíssima como escultura, e um primor também de pintura, executadas uma e outra nas oficinas conceituadíssimas dos Srs. Domingos Alves Teixeira Fânzeres & Filhos, de Braga”, escreveu o referido jornal, que desenvolve o tema num extenso artigo.


Deixo aqui mais um modesto contributo para o conhecimento do rico Património Religioso do Concelho de Fafe, ainda por descobrir.

FONTES:

Jornal "O Fafense", nº 242, 25 de Maio de 1929

https://virgemimaculada.wordpress.com

8 de fevereiro de 2018

PROCISSÃO DA SENHORA DE ANTIME Um apontamento do século XIX



O povo aguarda a chegada da Senhora de Antime no centro da vila
Fotogravura do principio do séc. XX 




«SENHORA d’ANTIME

É uma romagem de máxima nomeada no concelho de Fafe e na parte oriental inteira do distrito de Braga. Chama-se-lhe também romaria da Senhora do Sol e romaria da Senhora da Misericórdia, em virtude do fervor das suplicas e do intenso da fé com que os povos se endereçam a esta Senhora, nas faltas de chuvas ou de sol.
A imagem da Virgem é de pedra fina (granito metamórfico) com braços postiços e sem pés nem pernas, nem feitio algum de estatuária, além do rosto unicamente. Tem oito arrobas de peso e está colocada em um tosco andor antigo de oito arrobas também, a que dão o nome de charola da Senhora.

Dá a tradição por aparecida esta imagem no Monte de S. Jorge, entre Fafe e Cepães, e entre a freguesia de Antime igualmente; monte de uma boa légua de comprido e meia légua de largo, onde abundam grandes pedreiras de pedra fina (granitos metamórficos especialmente), d’envolta com granitos efusivos duríssimos, entre os quais aparecem, às vezes, belos granitos porfiroides; granitos explorados todos incessantemente e os metamórficos sobretudo, para as construções nas vizinhanças de Fafe em redondo, até uma légua às vezes.

Também neste mesmo monte «S. Jorge Magno», venera o povo o penedo da pegadinha, em comemoração da crença que tem, das pegadinhas que no dito penedo deixara impressas o jumentinho da Senhora, indo ela uma vez a cavalo por estes sítios.
Celebra-se a função da Senhora de Antime, com vésperas, no 2º domingo de Julho, na sua freguesia reitoral de Santa Maria do mesmo nome, a um quarto de légua para o sul da vila de Fafe; fazendo-se pela manhã o aniversário das almas, com seu sermão apropriado à festa. No domingo de manhã, por volta das 10 horas, sai de Antime para a igreja de Fafe a procissão da Senhora, fazendo-se então nesta igreja matriz exposição do Sacramento, com sua missa cantada, e o competente sermão, e por volta das 6 horas da tarde regressa para a respectiva freguesia, no meio de numerosíssimo concurso de romeiros, como na sida de Antime para Fafe.

Era outrora ainda mais galhofeira do que hoje, esta romagem de Antime: chegava quase a delírio o afervorado das salvas da companhia de mosqueteiros da procissão, não só na saída dela e na volta dela mas sobretudo no acometimento de um castelo fictício, de propósito erigido para dar mais realce à função e para a tornar mais estrepitosa; o castelo a final tomado era abrasado em chamas pelos mesmos mosqueteiros, depois de fingido um aparatoso conflito de sitiantes e sitiados, e vencido a final o Rei mouro acastelado.
Dá a tradição por origem desta fingida peleja, muito victoriada dos romeiros em chusma, a comemoração de antigos feitos dos povos da localidade na expulsão dos mouros, quando era senhor e povoador de Fafe, nos primeiros tempos da nossa independência, D. Egas Fafes, filho aguerrido do aguerrido D. Fafes Luz, alferes do Conde D. Henrique, primitivo tronco genealógico da nossa dinastia afonsina.

No meio das folias e extravagâncias da romaria, têm ficado algumas vezes esmagados alguns dos condutores da charola debaixo do seu excessivo peso. Costumam ser 16 em geral, para pegarem revezados aos oito braços, ou banzos da dita charola da Senhora, os valentões da procissão, valentões que se oferecem com antecipação de um ou dois anos às vezes, e que não conseguem esta graça especial dos mesários da Senhora, senão a poder de súplicas, empenhos e solicitações.

Não é todavia a mera ostentação de forças e de robustez de corpo a que assim faz deprecar a graça de carregar com os banzos da charola aos ombros. É especialmente porque têm para si os mancebos da localidade (Fafe e Antime sobretudo) não serem bem-sucedidos nos seus casamentos se não pegarem primeiro ao andor da Senhora. Nessa ocasião, para eles da maior expansão de coração juvenil, costumam colocar esses mancebos dos banzos os seus ramos de perpétuas na charola, aos quais se dá o nome sacramental de pinhas da Senhora de Antime.»

J.J. da S. Pereira Caldas (Braga)

Transcrito (com alteração ortográfica) do:
“ALMANACH DE LEMBRANÇAS LUSO-BRAZILEIRO” de 1859
Por: Alexandre Magno de Castilho
Lisboa, Imprensa Nacional, 1858
Páginas 274 e 275


7 de fevereiro de 2018

A BENZEDURA FAFENSE DO SÉCULO XIX CONTRA AS VARIZES






«BENZEDEIRAS

Há em Fafe, e em outras mais partes, dessas mulheres de virtude, que curam com palavras os desfiamentos dos braços e das pernas.
Poem para isso ao lume um púcaro com água, fazem-na ferver, e quando a fervura se activa, vazam então a agua num alguidar ou bacia, e põem o púcaro sobre ela com a boca para baixo, colocando depois a parte aberta ou desfiada do doente por cima do dito púcaro.
Toma então a benzedeira uma maçaroca de linho cru, fiada de propósito para semelhante objecto, enfia uma agulha nesse linho, e passa-a deste modo por baixo da parte doente, dando voltas sucessivas com o fio enfiado do linho, até à total, ou quase total absorção da água pelo púcaro, travando-se então o seguinte diálogo:

Benzedeira – Eu que é que aqui coso?
Doente – Carne aberta, fio torto.
Benzedeira – Isso mesmo é que eu coso:
 Em louvor de S. Silvestre,
Quanto eu fizer, tudo preste.

E se o púcaro, durante este tempo da repetição das palavras de virtude, chegar a absorver a água toda, ou quase toda, sobre a qual está de fundo para cima e de boca para baixo, ficará então a parte torcida de todo sã da abertura ou desfiamento; aliás não poderá o enfermo sarar daquela vez, e ficarão sem virtude as palavras da benzedeira.
Não é o primeiro púcaro que se enche na fonte, mas só o décimo, depois de cheios e despejados a fio os nove primeiros, o que se põe ao lume.
E quando, depois da fervura, o despejam e emborcam sobre a água, costumam colocar-lhe no fundo e em cruz, umas contas, um pente e uma tesoura, antes de repetir a fórmula.
Esta benzedura porém sofre algumas variantes de processo em algumas terras vizinhas.

F.M. da Cunha (Fafe)»

Transcrito (com alteração ortográfica) do:
“ALMANACH DE LEMBRANÇAS LUSO-BRAZILEIRO” de 1859
Por: Alexandre Magno de Castilho
Lisboa, Imprensa Nacional, 1858
Página, 153


6 de fevereiro de 2018

MANUEL JOAQUIM LOPES QUEIJO Um homicida do século XIX natural de Vila Cova






Imagem  ficcionada para ilustração



Em 1814, na freguesia de Vila Cova, Anna Maria Lopes deu à luz um filho gerado por António Joaquim Queijo, homem de má reputação, que haveria de transformar o seu primogénito, Manuel Joaquim Lopes Queijo, em um dos mais temerários bandidos da região.
Desde cedo, com a cumplicidade de seu pai, o jovem Manuel preteriu a sua profissão de sapateiro para enveredar pelo caminho do banditismo, cometendo os mais diversos crimes: roubou, extorquiu, ameaçou, feriu e matou pessoas indefesas da região.

Ele era o terror dos povos de Basto, pois chegava a qualquer e lhe dizia – Sr. Fulano, a mim dão-me 6 moedas para o matar, e eu não as posso perder, que tenho mulher e filhos – E não havia remédio senão dar-lhe as 6 moedas, com seus devidos agradecimentos!”


Com 24 anos de idade, em 1838, Manuel Queijo acumulava inúmeros crimes, entre os quais dois homicídios.
Com a “cabeça a prémio”, o sapateiro salteador acabou por ser capturado e entregue ao implacável poder judicial do século XIX.
Ao tempo da prisão, Queijo tinha residência no lugar da Boucinha, freguesia de Arnóia, Julgado de Celorico de Basto, Comarca de Fafe.




Antiga Cadeia da Relação do Porto
Reprodução de postal ilustrado em inícios do Sec. XX 


Em 6 de Junho de 1838, respondeu perante o Juízo Criminal no Julgado de Celorico de Basto, presidido pelo Juiz de Direito da Comarca de Fafe.
Acusado pelo Ministério Público, foram provados os crimes seguintes:

- Ferimento de Manuel Matheus, na noite de 18 de Março de 1836.
- Morte do proprietário octogenário, Manuel Joaquim da Motta, da Quinta do Alvão, na noite de 15 para 16 de Dezembro de 1836.
- Morte do tendeiro, António Teixeira, na freguesia de Pinheiro, em 9 de Junho de 1837.
- Ameaças com armas e extorsões de dinheiro.

A Manuel Lopes Queijo foi-lhe aplicada a pena capital, morte por enforcamento.
Apesar de “reclamar” para a Relação do Porto, a sentença foi-lhe confirmada em acórdão datado de 15 de Novembro de 1839.
Não satisfeito, Queijo recorreu ao Supremo Tribunal que manteve a sentença, após ouvir o Concelho de Ministros.
O jovem homicida tinha os dias contados. Seria enforcado em praça pública na Vila de Freixieiro de Basto.

As autoridades providenciaram, sem demoras, o complexo aparato para a execução do condenado Lopes Queijo.
O periódico “O ECCO”, fonte única deste trabalho, relata os acontecimentos ao pormenor:

“…O Ministério Público julgou que a clemencia da Soberana não deveria ter lugar e S. M. não usou do Poder Moderador, e, confirmando a sentença a mandou executar, e foi para este fim que tinham chegado no Vapor Vezuvio os 2 carrascos, Simões e Ramos.
Estavam todas as medidas tomadas para a execução ter lugar na freguesia de Freixieiro de Basto, e já o Regimento 18 tinha saído de Guimarães para o lugar da execução, e de Braga 105 homens do 15. E quando parecia que todos os recursos estavam esgotados é que aparece um Poder novo, e que o homem é salvo!
Às duas horas da noite se apresenta nas Cadeias da Relação o Capitão J.M. de Cavalaria 6, comandante da força que deveria acompanhar o réu ao lugar da execução. Chegaram depois destacamentos de 18, de Artilharia, de Cavalaria, além da guarda principal, que era de 28. Parece que toda a força seria de 60 praças. O Capitão é chamado ao escritório do Carcereiro para passar o recibo, ele passou, não só do réu como dos dois algozes, e com este recibo terminou a responsabilidade do Carcereiro, que fez entrega dos 3 [homens].
Todos 3 estavam soltos, o Capitão obrigou o Oficial de Diligencias a algemar os 2 algozes, e querendo que o réu fosse algemado, diz-se que o dito Oficial de diligências respondera, lá em baixo será algemado depois de montado!
Seja porem como for, é certo que ele desceu solto, e, no meio de uma escolta, é que chegando à loja, enquanto lhe preparavam os arreios da cavalgadura, tendo-lhe sua mulher falado ao ouvido, ele deu dois pulos, lança por terra um soldado, e foge pela porta fora, à vista da força que ali estava postada!
Consta que toda ou parte da força correu em cima dele, sendo ainda escuro o perderam de vista!!
O Capitão correu logo à ponte, e dizendo-lhe o vigia que nenhum homem ali tinha passado, deu ordens para ser preso todo que ali passasse. As mais exactas ordens foram dadas logo às patrulhas Municipais que andavam rondando. Tudo isto e o mais que se fez foi inútil pois o réu sumiu-se perfeitamente, e não há uma só testemunha que visse a direcção que ele levou. O réu foi mais hábil em prestigios que Mr. Leroux. “
Esta alegada inabilidade das forças responsáveis pela transladação de Manuel Queijo provocou reacções diversas na opinião pública portuense.
Enquanto uns criticavam negativamente a competência das autoridades implicadas, outros acharam que o réu estava no seu direito de tentar fugir à morte agendada.
“Consta geralmente, nesta cidade, que o réu, no momento da fuga se dirigiu pela rua das Taipas abaixo, atravessara a rua de S. Miguel, com intenção de se dirigir pelas escadas da Esmoga, porem sentindo passos, saltou para um quintal que há junto da igreja da Victória. E ali estivera todo esse dia e noite, e dali se dirigiu ao Carregal, onde dormiu duas noites”.

A fuga do condenado Manuel Queijo não durou muito tempo. Ao fim de escassos dias, foi recapturado pela Polícia de S. Clemente de Basto, no lugar de Gandarela, disfarçado, fazendo-se acompanhar de um almocreve.
O réu entrou na cadeia de Basto, às 2 horas, do dia 3 de Julho de 1840.
Aproximava-se, a passos largos, o fim da vida de Manuel Joaquim Lopes Queijo, um homem de estatura normal, rosto comprido, olhos castanhos, cabelo e barba preto.
Um jovem de 26 anos que espalhou o mal, acabando por sofrer a mão dura de uma justiça ainda com fortes reminiscências medievais, que não tinha pudor em torturar quem magoasse e matar quem tivesse assassinado.





Aspecto da freguesia de Freixieiro de Basto, onde teve lugar a execução
Gravura do século XIX "O Minho Pittoresco)


O DISCURSO DO CONDENADO

Pouco antes de subir à forca, António Queijo pediu a presença do escrivão Domingos Marinho da Silva, e, pelo seu punho, escreveu as suas últimas palavras que proferiu, em voz alta, sentado no último degrau da escada do patíbulo da morte:

“Meus Senhores!
É chegado o triste momento em que meus crimes vão ser castigados com a minha própria vida, neste patíbulo, recompensa bem justa de meus execrandos atentados. Sabei pois todos que foi a causa de tudo isto a má educação e mau exemplo que meu pai me deu, assim como as más companhias a que me juntei.
Se meus pais me dessem a devida educação, e não me poupassem o castigo que tantas vezes merecia, eu não chegava a ser bombeado nesta forca, na curta idade de 26 anos.
Olhai, olhai para mim, irmãos meus, e vós pais de famílias, abraçai este triste exemplo para que de hoje em diante deis educação a vossos filhos.
Nunca poupeis o devido castigo.
A execução da minha morte tem sido causa de se derramar muitas despesas no concelho, por isso, peço perdão pelo amor de Deus a todos os habitantes deste concelho. Peço perdão às autoridades pelo trabalho que tiveram; à tropa, pela fadiga das suas jornadas, aos padres que com tanto zelo ganharam a minha alma para Deus, e, sobretudo, peço perdão a Manuel Joaquim da Motta do Bau, a quem por acaso matei. Por isso não imputem esta morte a seu filho Francisco, nem a sua mulher, pois que nenhuma parte nela tivera… só eu fui o culpado.
Finalmente, rogo a todos que se acham presentes, que rezem um Padre Nosso à morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, para que me dê a sua graça e força para sofrer com paciência esta morte.
Além disto me lembro que fiz outra morte, e por isso peço perdão a todos os parentes daquele que eu matei.
Com a minha vida, causei muitos escândalos e por isso peço perdão a todos a quem ofendi, e de todos os roubos que fiz, era minha vontade pagar, mas não posso, peço perdão.
Finalmente perdoai-me senhores, perdoai-me todos e rezai à Virgem Nossa Senhora uma Salve Rainha, para que me acuda nesta hora, e, se puderdes, ouvir pela minha alma uma missinha, Deus vos corresponderá.”

Manuel Joaquim Lopes Queijo



Até 1846 estes "espectáculos" eram frequentes nos centros de vilas e cidades de Portugal



Na Praça de Freixieiro, ao início da tarde de 11 de Julho de 1840, perante uma multidão “silenciosa e recatada”, calculada em cerca de 3.000 pessoas, do Concelho de Celorico de Basto e terras vizinhas, Manuel Joaquim Lopes Queijo foi enforcado, decapitado, ficando a cabeça exposta num pau espetado no solo.

Haveriam de passar alguns anos até ser feita a ultima execução em Portugal, que teve lugar em Lagos, no dia 22 de Abril de 1846.
A pena de morte, em território português, para crimes civis, foi finalmente abolida em 1 de Julho de 1867, durante o reinado de D. Luis.
O Código de Justiça Militar, em Portugal, manteve a pena capital até 1976, passados dois anos da “Revolução dos Cravos”.

Jesus Martinho 

FONTE: “O ECCO”, Jornal Critico, Literario e Politico
https://books.google.pt/books

Nota: As transcrições foram adaptadas na grafia e na pontuação.

22 de janeiro de 2017

Palacete do “Centro de Emprego” ameaçado aos 105 anos




Há anos sem ser utilizado. O palacete anexo ao Centro de Emprego de Fafe, na rua José Cardoso Vieira de Castro, encontra-se votado ao abandono e os elementos naturais de erosão, vão desgastando o imóvel.

Este belo exemplar de Arte Nova com inspiração francesa foi mandado construir em 1912 por Manuel Rodrigues Alves, natural do Porto e que viria a casar com a poetisa fafense Soledade Summavielle Soares, neta paterna do ilustre “brasileiro” de torna viagem, José Florêncio Soares e de Maria Teresa da Costa, primeiros proprietários de outro extraordinário imóvel de influência brasileira, também devoluto, localizado mesmo em frente ao Teatro-Cinema local.




Nos anos 60, José Summavielle Soares recebeu a casa por herança, vendendo-a mais tarde a Alberto Leite Dantas.

Em 1984 o executivo camarário promoveu a classificação do palacete como “Imóvel de Interesse Concelhio”, pelo seu “interesse e valor ao nível artístico, histórico e cultural”.
A Câmara Municipal chegou a fazer um projecto visando a recuperação do imóvel, orçado em 130.000.000 escudos. Outra hipótese era uma intervenção parcial que custaria 70.000.000 escudos. Nenhuma das intenções foi viabilizada e a “nobre casa” acabou por ser adquirida, em 1986, pelo Ministério do Trabalho para instalação do Centro de Emprego e Formação Profissional de Fafe, construindo-se um edifício de raiz na zona das antigas cavalariças da casa, ficando o imóvel principal, praticante sem utilidade.

Na época em que este palacete foi construído (1912), alguma imprensa local referiu-o como “a mais luxuosa moradia da vila, com todas as comodidades para se viver regaladamente”.




É, de facto um raro exemplar de Arte Nova, construído em alvenaria, madeira e ferro forjado. Apresenta painéis de azulejos e pinturas decorativas, essencialmente, paisagens e motivos vegetais.

No ano que completa precisamente 105 anos, um dos mais emblemáticos e valiosos imóveis históricos da cidade, em pleno centro urbano, encontra-se votado ao abandono, aguardando uma recuperação que dignifique o seu indiscutível valor histórico e patrimonial.