NAVEGUE PELO BLOGUE

20 de março de 2019

O NEVÃO DE 1900

Excerto do jornal "O Desforço" de 22 de Março de 1900




No dia 20 de Março, há precisamente 119 anos, a antiga vila de Fafe acordou sob um manto de neve. Uma entrada gélida na Primavera.
O jornal “O Desforço” deu a notícia que, de seguida, reproduzimos:
«Nevadas
Depois dos dias de sol primaveris que estiveram e pareciam jamais terminar, fazendo largar os fatos grossos e agasalhos d’inverno, houve tão brusca mudança na temperatura que baixou a ponto de se sentir um frio siberiano que fazia tiritar a valer.
Esse frio veio intermeado com chuvas que nas colinas e serras principaes eram flocos de neve a amontuarem-se; essas chuvas transformaram-se em neve por aqui tambem, aparecendo na terça-feira de manhã os montes circunvisinhos todos brancos. Porem á noite a neve augmentou de quantidade, nevando toda a noite. Hontem de manhã, eram arvores e telhados tudo coberto de neve, apresentando a villa e montes um aspecto lindíssimo; durante o dia cahiram varias camadas de neve, que não pegou nas ruas, por se acharem molhadas. Os montes e serras que se descobrem estão cobertos de neve. Há muitos annos que por aqui não nevou assim.
O frio é intenso.»
In: Jornal “O Desforço”, 22 de Março de 1900



19 de março de 2019

A CAPELA DO HOSPITAL FOI INAUGURADA HÁ 122 ANOS


Em dia comemorativo de S. José, 19 de Março de 1897, o Hospital da Misericórdia de Fafe, abriu as suas portas ao público para festejar o seu patrono, S. José, e proceder à inauguração da nova capela, doada pelo benemérito, brasileiro de torna-viagem, José Florêncio Soares.
O acto, resumido a uma missa cantada e bênção, foi precedido por um desfile de operários das fábricas do “Ferro” e do Bugio, encabeçado pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Fafe, que, durante a tarde, tocou no largo fronteiro ao edifício do Hospital.
O semanário “O Desforço” descreveu o novo “oratório”:
«E’ um trabalho lindissimo, d’um gosto artístico extraordinario. Fica á direita do salão aonde se acham colocados os retratos dos benemeritos fallecidos e aonde se realizam as reuniões da meza, e bem mostra que presidiu áquella obra de bom gosto de quem tem interesse pelo engrandecimento d’aquella casa de caridade.
O altar encerra no seu oratório a imagem do patrono d’aquella casa, - S. José – uma imagem nova, tendo á frente uma elegante cruz d’onde pendia um Christo d’uma escultura explendida, ladeada por seis grandes castiçaes. Ás portas ricas cortinas, e na principal, encimada por uma larga bandeira, destacava-se uma combinação de vidro de diversas cores.
O soalho entapetado, e pelas margens diversos vasos de plantas e flores mimosas.
Pela nossa parte registramos aqui a dadiva do snr. José Florencio, porque é digna d’isso.”»
IN: jornal “O Desforço”, 25 de Março de 1897

12 de março de 2019

PIROTÉCNICO PERDEU DUAS MULHERES E DOIS FILHOS EM EXPLOSÕES





Francisco Vieira, proprietário de uma pirotecnia, viu perecer as suas duas esposas e os dois filhos mais velhos, em explosões de paióis.
Aconteceu na década de 30 do século XX, na freguesia de Santa Cristina de Arões.
Em 1931, o pirotécnico Francisco Vieira, vitima do infortúnio, sofreu uma explosão na sua oficina, ceifando a vida da sua primeira mulher e dois dos seus filhos.
Sete anos depois, em fatídica sexta-feira, 11 de Março, durante uma pausa para a merenda, no lugar do Monte das Covas Abertas, em Santa Cristina de Arões, uma “violenta explosão, que se ouviu na vila de Fafe, e em freguesias vizinhas”, vitimou, mortalmente, a sua segunda companheira, Joaquina da Conceição de 34 anos, e deixou feridos, com gravidade, o próprio Francisco Vieira e um seu empregado, Américo Teixeira, de Quinchães.
Os Bombeiros Voluntários de Fafe foram alertados pelo telefone da fábrica da Gaia, encontrando o paiol ainda em chamas, e o triste quadro de uma morta e dois feridos, prestando os seus dedicados serviços”, refere o jornal “O Desforço”, em 17 de Março de 1938, acrescentando que, “o cadáver da Joaquina Conceição foi transportado, perante comovente pranto, ao cemitério da respectiva freguesia, e os dois feridos lá continuam em tratamento no hospital, receando-se pela vida do primeiro”.
Até ao momento, não conseguimos conhecer o desfecho do malogrado fogueteiro Francisco Vieira.

3 de março de 2019

TABERNA DO "CÁTES"


Na Avenida de S. Jorge, ainda sem casas à sua frente, encontrámos um edifício, aparentemente moderno que conserva, na sua fachada, duas portas e duas janelas quase da altura do pé-direito do piso inferior. Uma caracteristica arquitectónica que nos remete para um tempo mais recuado, para a altura da antiga casa de pasto "Parasita", que durante várias décadas negociou vinhos e petiscos.

Hoje, como outrora, a taberna do "Cátes", não tem qualquer identificação na frontaria. As suas portas estão fechadas. Só entra quem conhece.
A fama conquistada ao longo de mais de meio século não carece de publicidade.

Eram 17 horas de uma sexta-feira de Fevereiro quando entrei na taberna acompanhado por um sobrinho.
Ocupámos uma mesa central, e mal tivemos tempo para degustar o verde branco de Amarante até ficarmos rodeados de amigos e conhecidos. Estava na hora certa para a merenda.

O tinto e branco a regar o coelho estufado, ou qualquer outro petisco, foi servido com  simpatia pelo António "Cátespero", actual co-gerente da histórica taberna.



Olhando à volta da acolhedora e concorrida sala, a nossa atenção prende-se no curioso revestimento das paredes. Sobre o lambrim de azulejo, dispõem-se milhares de outros azulejos, com uma incrível variedade de padrões, que se repetem duas ou mais vezes, exceptuando um deles... entre aquela imensa variedade de azulejos, existe apenas um que é diferente e único. Não é fácil identificá-lo!



No canto, ao lado do balcão em granito polido, a entrada "castiça" para a adega, onde, outrora, se ouvia o ranger das torneiras de madeira e o jorrar do precioso néctar para as canecas. 
A modernidade já não permite a utilização de cascarias nos estabelecimentos.

No "Cátes", os telemóveis ficam nos bolsos, e a televisão fica às moscas.
A cavaqueira domina um ambiente de camaradagem. Fala-se um pouco de tudo. Contam-se novas e velhas histórias. Ocupa-se o tempo na companhia de amigos com a cumplicidade da merenda e da botelha.








A antiga casa "Parasita", agora do "Cátes"  é um dos poucos tascos sobreviventes na cidade de Fafe.
Com uma história ainda por desvendar, a velha taberna continua a marcar a diferença, rivalizando com os modernos Snack's... não sabemos até quando...

A taberna do "Cátes", na Avenida de S. Jorge, nº 560, abre de segunda a sábado, entre as 13 e as 20 horas.

E, já sabe... é só abrir a porta e entrar!


28 de fevereiro de 2019

CAFÉ AVENIDA HÁ 110 ANOS


O interior do Café Avenida poucos anos depois da inauguração
Reprodução do Almanach Ilustrado de Fafe



O Café Avenida, a funcionar na actualidade; o de maior longevidade em Fafe, abriu no dia 1 de Março 1909, pouco tempo depois da abertura da "Avenida da Estação", há precisamente 110 anos.
Fundado pelo malogrado António Dias Saldanha Peixoto, em sociedade com Manuel de Freitas Fernandes, o Avenida foi o primeiro Café requintado da vila de antanho; na época, existia apenas um outro café mais antigo, designado por "O Figurão".
Em 1909, em termos de restauração, Fafe tinha cinco hotéis, uma hospedaria e dois restaurantes; um total de doze Casas de Pasto completava o conjunto de negócios onde se podia comer e refrescar as gargantas.
O Avenida foi pioneiro, em Fafe, no conceito de Café luxuoso, uma casa de convivio e diversão, inspirado noutros estabelecimentos existentes apenas em grandes cidades.


A notícia da abertura do Café Avenida no semanário "O Desforço", em 1909





Reprodução do "Almanach Illustrado de Fafe"

António Dias Saldanha Peixoto foi o principal fundador e impulsionador do Café Avenida durante cerca de uma década.



A Primeira publicidade


Reprodução do "Almanach Illustrado de Fafe", 1909




Um testemunho dos anos 50 (séc. XX)

«Era uma sala rectangular com grandes espelhos que reflectiam as lindas mesas com tampos de mármore branco, à volta das quais estavam belas cadeiras construídas em madeira nobre. Ao fundo, do lado esquerdo, para quem entrava no café, havia um belo balcão, atrás do qual estava uma estante de várias utilizações. O bilhar de quatro tabelas antecedia a grande porta que dava para o caramanchão, lindo e ameno recanto onde nas tardes de Verão se bebia um bom verde  acompanhado de petiscos, conversas sobre História, Filosofia e Política. Por isso o Avenida se chamava o café dos intelectuais.
A burguesia culta frequentava-o diariamente e ali convivia com pequenos comerciantes, industriais e gente de todo o estrato social. Dizia-se, aí pelos anos cinquenta, que no Avenida se aprendia a Democracia, a Liberdade, o respeito pelo diferente».

In: “António Saldanha – Lembrar um Homem, de António Teixeira da Silva e Castro, Braga 1998.



Reprodução do "Almanaque Ilustrado de Fafe"

António Augusto da Silva Saldanha foi o mais carismático e distinto proprietário do Café Avenida. O seu humanismo e forte convicção politica antifascista, motivou a inclusão do seu nome na toponímia da cidade de Fafe em 1978.


Este apontamento é uma abordagem superficial de uma investigação em curso, que, oportunamente será publicado.
110 anos de História do emblemático Café Avenida, não se esgotam em poucas linhas... 







26 de fevereiro de 2019

NICHO DA SENHORA DOS BONS CAMINHOS EM SANTO OVÍDIO






Inaugurado no dia 7 de Julho de 1967, o nicho da Senhora dos bons caminhos, localizado na Rua Cidade de Guimarães (E.N. 206), no lugar de Santo Ovídio, deve-se à iniciativa da professora Zilda Matos, directora das antigas Escolas Primárias Femininas de Fafe.
«A cerimónia de bênção e inauguração, começou com um serviço religioso na Igreja de S. José, ao fim da tarde do passado dia 7, seguido de procissão até ao local», noticiou o semanário “Noticias de Fafe”, em 15 de Julho de 1967.
Passados 52 anos, este nicho, preserva a sua traça simples, original, passando despercebido à maioria dos transeuntes.
Rosa e Fernanda “Suvaco”, moradoras no lugar de Santo Ovídio, por devoção, há muitos anos que cuidam do pequeno monumento religioso, depositando flores e velas à Senhora que continua a guiar os crentes por bons caminhos.
Por bons caminhos andou também o Município de Fafe, quando, pelo ano de 2011, valorizou o espaço envolvente do nicho com um pequeno jardim.









2 de fevereiro de 2019

OS TEMPORAIS DE 1941 EM FAFE





O arranque do ano de 1941, em termos meteorológicos, não foi nada favorável para o concelho de Fafe. Após um grande nevão, que também atingiu a antiga vila no dia 16 de Janeiro, sob o titulo “O apavorante temporal de sábado”, o semanário “O Desforço” desenvolveu a notícia das tempestades que assolaram todo o território nacional, em 15 de Fevereiro de 1941.

“Em Fafe – na vila e por todas as aldeias – o temporal foi medonho, arrancando alguns milhares de árvores, entre as quais, as mais sacrificadas, foram oliveiras, pinheiros e eucaliptos, avaliados em muitas dezenas de contos.
Muitos muros foram derrubados, assim como beirais de telhados, os próprios telhados de alguns casebres, sobre os quais caíram oliveiras seculares…

A noite foi passada em trevas numa grande parte das ruas e nas habitações, porque os condutores elécticos, tanto do Bugio, como de Santa Rita, sofreram avarias.
Os rios aumentaram muito de volume e a linha férrea foi juncada de árvores, pelo que o comboio das 20 e tal, só chegou ás 4 horas de domingo. O das 11 e tal de domingo, só chegou às 16 horas, saindo o das 16,5 ás 18 horas.

No domingo não houve jornais do Porto. E as comunicações telefónicas e telegráficas, têm estado interrompidas, assim como os correios de Lisboa e de outros pontos.
Nesta terra, felizmente, a não ser o susto e os grandes prejuízos materiais em todo o concelho, não há desgraças pessoais a lamentar.
Desde a 1 hora de domingo, o temporal afrouxou, caindo depois bátegas de chuva e de saraiva, com trovões, sentindo-se muito frio.

Ás 2 h. de segunda-feira, sentiu-se nesta vila um tremor de terra de pequena duração.
A lua cheia de Janeiro foi bem cheia de calamidades.”

IN: Jornal “O Desforço”, 20 de Fevereiro de 1941





Fotos do nevão na vila de Fafe em 1941, reproduzidas do Almanaque Ilustrado de Fafe.

1 de fevereiro de 2019

FREGUESIA DE PAÇOS O renascer de uma Romaria










A freguesia de Passos, ou, com rigor histórico, “Paços”, por iniciativa da Junta de Freguesia e da Comissão de Festas, unindo outras forças vivas da localidade, retomou a festividade em honra de São Vicente, padroeiro da freguesia desde tempos imemoriais.
As boas gentes de São Vicente de Paços, com o seu bairrismo cada vez mais fortalecido, e legítimo orgulho pelas suas raízes e tradições, resgatou, (e bem), a velha Romaria de São Vicente, quase sem expressão há cerca de uma década.
As festividades de Inverno podem ser ingratas e, em muitas localidades, acabam por ser mudadas para época de clima mais ameno… Mas o dia de São Vicente celebra-se a 22 de Janeiro e, durante mais de duas décadas, o pároco de Paços, Manuel Novais assinalou a data do padroeiro com celebrações religiosas.
A Romaria de outrora, alegadamente modesta, com pouca visibilidade, acabou por adormecer sob o Pinheiro Manso.
Após o enorme sucesso do evento “Camilo em Passos”, encetado em 2018, a comunidade activa da freguesia, compreensivelmente motivada, assumiu a revitalização da Romaria (Festa) em honra do mártir São Vicente, protector das crianças contra as bexigas (varíola), padroeiro da freguesia de Paços e da Diocese da capital portuguesa, para além de outras localidades.
Motivação, determinação, coragem e incondicional amor pelo torrão natal ou adoptivo, tem conduzido a comunidade “pacense” no caminho de um desenvolvimento sustentável, contra algumas contrariedades externas que já lesaram algum património da freguesia. Lembre-se o caso recente da destruição da ponte histórica sob o rio Vizela…






A FESTIVIDADE

Os festejos em honra de São Vicente decorreram em cinco dias do mês de Janeiro: No domingo, dia 20, os tambores do agrupamento local de Escuteiros percorreu a freguesia anunciando a Festa.
No final da tarde de terça-feira, dia 22, na Igreja Paroquial de Paços, foi celebrada uma missa dedicada ao Santo Vicente, assinalando o 1715º aniversário da morte do diácono, que teria sido mandado prender em Saragoça pelo imperador romano Diocleciano. Conduzido depois para Valência, Vicente foi martirizado e queimado vivo, falecendo em 22 de Janeiro do ano 304…







A Festa teve o seu desenvolvimento durante todo o fim-de-semana, dias 25, 26 e 27, num agradável e acolhedor espaço recentemente requalificado, junto ao complexo desportivo, por iniciativa da Junta de Freguesia de Passos.
No início da noite de sexta-feira, 25 subiu ao palco, Rui Mendes, com uma participada aula de Zumba, seguindo-se-lhe o grupo musical “Carolina & Ezequiel” acompanhados por duas bailarinas.
A noite esteve fria mas, do palco da festa, irradiou a energia necessária para o aquecimento de quem se aventurou na dança.





No sábado, depois de uma missa, pelas 20h30, saiu uma procissão de velas com a imagem da Senhora de Fátima, conduzida por quatro mulheres. À frente, Escuteiros do Agrupamento local do CNE. Na cauda, muitas dezenas de velas com o brilho da devoção.





Era chagado um dos momentos altos da Romaria, a noitada, que levou ao palco “Os Trastes”, um jovem e promissor grupo fafense de música popular e tradicional, motivado por uma muito recente aparição na RTP 1.
Foi uma noite de grande animação, em português popular bem interpretado, que agradou muito às várias centenas de populares que passaram no recinto da Festa, entre o recanto das bifanas e das bebidas, e o terreiro onde, durante duas horas, se dançou, saltou e cantou. Um público magnífico que, seguramente, agradou aos “Trastes”, que tiveram direito a um ancore.





A noite, memorável, terminou com uma prolongada e vistosa sessão de fogo-de-artifício. 

Ao princípio da tarde de domingo, o Rancho Folclórico de Paços subiu ao tabuado para mais uma actuação repleta de tradição, com viras, chulas e uma extraordinária recriação de uma desfolhada, que “alimentou bocas e regou gargantas”.
Apesar de uma tarde gélida e ventosa, a actuação do Rancho da terra foi bem assistida, provando que o nosso folclore ainda tem muitos admiradores, que não pouparam ovações generosas ao bom desempenho dos oito pares de dança e mais de uma dezena de tocadores e cantadores.

~



Pelas 15h45, da Igreja Paroquial, tocada por tímidos raios de Sol, saiu a procissão, um cortejo sem precedentes na freguesia em honra do Padroeiro São Vicente, “o mais célebre dos mártires hispânicos, o único que se encontra incorporado na liturgia da igreja universal”.
À frente da procissão, os escuteiros de Paços fixaram a marcha com os seus instrumentos de percussão: tambores, bombos e pratos.
Logo atrás, em fila dupla, seguiram os membros do Rancho Folclórico de Paços trajados de memória, emprestando um agradável e alegre colorido ao cortejo.
Seguiram-se os estandartes: do “Povo desta Freguesia”, oferecido em 2015, representando uma cena da aparição da Virgem aos Pastorinhos, e outro, vermelho escarlate, do Sagrado Coração de Jesus.
A Cruz Processional a pontuar a abertura do cortejo dos andores, caprichosamente asseados, com um total de sete imagens de invocação, pela ordem seguinte: Senhora de Fátima, Divino Menino Jesus de Praga, São José, São Sebastião, Santa Bárbara, Beata Maria Clara do Menino Jesus; a fechar, a imagem maior do Padroeiro São Vicente mártir.
Entre os andores, conduzidos por homens e mulheres em número de quatro por cada charola, vistosos figurantes (anjinhos), crianças e jovens recriaram personagens da iconografia cristã, e deram um brilho especial ao cortejo.
Seguindo o andor do mártir S. Vicente, o Pálio, erguido por seis homens, abrigou o Santo Lenho, solenemente conduzido pelo pároco da freguesia.
Muitas dezenas de fiéis fecharam a procissão de S. Vicente, uma das mais luzidas e participadas de que há memória na localidade.





A Romaria de São Vicente de Paços 2019 fechou com cantares ao desafio com Naty Vieira e Jorge Martins, acompanhados pela concertina de André Matos. Um número muito apreciado entre nós, que, apesar do frio, teve uma assistencia generosa.





A Romaria de São Vicente de Paços foi retomada, em 2019, com grande elevação, pelas forças vivas da freguesia que não pouparam esforços para, fazendo jus ao crescente bairrismo, realizaram uma Festa bem-sucedida, com muita “prata da casa”, onde o São Pedro foi solidário… o tempo esteve frio, mas a pouca chuva que caiu sequer beliscou os festejos.
Numa freguesia pequena em população, vi mulheres e homens empenhados, multiplicar tarefas; retive na memória membros da organização a servir no bar, pegando ao banzo de andores, subindo ao tabuado com o Rancho Folclórico, tocar tambores nos Escuteiros, acender as “fogueiras de S. Vicente” no recinto da Festa, e, ainda, em expressiva diversão junto a um palco muito animado.
Homens, mulheres e jovens de enorme valor que, privando-se de muitas horas de descanso e lazer, numa atitude nobre e generosa de amor à terra de Paços, deram o seu suor em prol de mais um evento coroado de êxito.
S. Vicente de Paços está de parabéns por continuar na senda de um progresso sustentável, onde a qualidade de vida das pessoas é uma prioridade.
O tempo dos “caminhos barrocais” e das “laranjas amargas” acabou…
Paços está na moda, por acção de uma liderança local ambiciosa, bairrista, aglutinadora, resolvida a encarar de frente os problemas e, gradualmente, realizar velhos e novos anseios de uma população cada vez mais orgulhosa numa terra simpática de gente boa e trabalhadora.
Os caminhos, agora, são bons, e as laranjas um doce e promissor cartão de visita… 
Muito mais teria para dizer. Fico-me por aqui… sem antes deixar o meu sincero obrigado pelo acolhimento e simpatia dos “Pacenses”, em particular aos obreiros desta festa maravilhosa, que, espero, voltar a ter o privilégio de assistir e registar, para a posteridade, nos próximos anos.


São Vicente de Paços  embarcou no comboio do progresso...


AGRADECIMENTOS

Comissão de Festas de Passos
Junta de Freguesia de Passos
Agrupamento de Escuteiros de Passos
Grupo Cultural e Desportivo de Paços
Rancho Folclórico de Paços


 Artigo noticioso com opinião.












4 de novembro de 2018

UM ARTISTA DE LESTE EM FAFE







In memoriam


Mykola Solovyov nasceu na extinta União Soviética a 16 de Janeiro de 1969. Emigrante Ucraniano está em Portugal desde Fevereiro de 2002. Escolheu Fafe como sua Terra de adopção e reside no lugar de Santo Ovídio. Nicolai, nome pelo qual é mais conhecido, trabalha há mais de cinco anos no ramo da transformação de madeiras.
O seu gosto pela arte da pintura leva-o a produzir trabalhos que transparecem uma mescla das Culturas de Leste e Portuguesa.


Mykola Solovyov é filho de militar e farmacêutica. Após completar o ensino obrigatório, frequentou um curso profissional de 3 anos na área da marcenaria. Aos 18 anos integrou o exército Soviético, cumprindo dois anos de serviço militar obrigatório, em grande parte, passados no teatro das operações da guerra do Afganistão.
Em 1991 a União Soviética é dividida e Mykola viu-se integrado na Ucrânia, como país independente.
Na sua terra, “Nicolai” trabalhou como decorador de interiores e foi também vendedor de produtos alimentares.
Insatisfeito com a difícil situação política e económica do seu país, decidiu emigrar.
Após uma curta passagem pela Figueira da Foz, em Abril de 2002 “Nicolai” chega a Fafe, mais concretamente ao lugar de Santo Ovídio, onde encontrou pessoas amigas que souberam dar-lhe o apoio que tanto necessitava.
Rapidamente este Ucraniano com porte de “Steven Seagal” integrou a comunidade santo ovidense  e com a mesma facilidade dominou a nossa língua.
Após trabalhar em diversas empresas locais, foi admitido nas “Madeiras de Santo Ovídio”, onde trabalha há cerca de 5 anos.
Apelando à sua formação em marcenaria “Nicolai” começou por produzir quadros manualmente gravados em madeira, com os emblemas dos principais clubes nacionais de futebol.
Associou-se ao grupo ARCO e aí fez escola na concepção de “cabeçudos” para as festas populares.
“Nicolai” percebeu que podia ir mais longe e começou a pintar telas a óleo que integraram diversas mostras; na Casa Municipal de Cultura de Fafe, na galeria do Café H7, no Café Águias de Ouro em Bouças, no Café Óscar em Guimarães e ainda viu os seu trabalho exposto em festas de Santo Ovídio organizadas pela Associação ARCO.
“Nicolai” é ainda um apaixonado pela música, toca viola clássica e não raras vezes afina as suas cordas vocais animando tertúlias, interpretando com nostalgia, canções da terra longínqua que um dia o viu partir.
Durante 4 longos anos passou a grande provação de estar longe dos seus filhos; Elvira de 9 anos e Ruslan com 18 anos.
A burocracia portuguesa não se compadece com sentimentalismos e os “papéis” só apareceram em 2006, após muito esforço e dispêndio de dinheiro que escasseava.
Homem respeitado por todos, amigo do amigo, benfiquista por razão, grande lutador pelo seu ideal de um dia proporcionar melhores condições de vida à sua família, O meu amigo “Nicolai” é um exemplo de saber estar em país alheio, um artista que consegue conciliar a dureza da serração com a subtileza do pincel. É ainda uma boa referência para a pequena comunidade de Leste residente em Fafe.

Publicado no extinto jornal "Correio de Fafe", 2009

25 de julho de 2018

O PRIMEIRO COMBOIO CHEGOU A FAFE HÁ 111 ANOS






EM 21 DE JULHO DE 1907


O relato da chegada

«Como é bom recordar! Parece que foi hontem e já lá vão três annos! Transcrevemos para aqui parte do que sobre tão grato motivo dissemos no nº 749 do Desforço de 1907; serve mesmo para explicação das gravuras que vão juntas:»

A CHEGADA

«Aos primeiros silvos das locomotivas, tudo rejubila. São duas, conjugadas, que se denominam «Porto» nº 5 e «Negrellos» nº 2, a rebocarem 17 vehiculos. Ao apparecimento, na ultima curva, quando os silvos redobram e o penacho de fumo se torna mais intenso, a alegria é então dilerante, chega ao seu auge o contentamento!

E’ uma hora e 20 minutos quando o comboio entra nas agulhas da estação por entre filas de povo. O enthusiasmo, a esta hora feliz para Fafe, é indescritível!
Aquelle acenar de lenços, aquella animação, aquella vivacidade, aquellasacclamações, tudo aquillo que se não pôde anotar, oh! Era sublime!!
Sublime, sim!!

Nós, que fomos uns pugnadores do caminho de ferro para Fafe, que temos anciado para o nosso torrão natal esse melhoramento indispensável, ao ver chegar o comboio inaugural, fomos apossados de tanta alegria, que quasi se nos estonteia o espírito! Ah! É que víamos triumphar uma das nossa maiores aspirações!

E as bandas fazendo ouvir os seus sons musicais, vibrantes, pareciam exprimir o que nos ia n’alma; o dynamite, estralejando nos ares, annunciou ao longe o nosso enorme contentamento.
No comboio inaugural vinha um grande numero de convidados, de que os jornaes diários teem dado nota e que por isso achamos supérfluo aqui reproduzir.
As locomotivas chegaram adornadas com bandeiras e tropheus, a gosto.
A da vanguarda, a nº 5, trazia a dirigi-la o engenheiro sr. Francisco Ferreira de Lima, que trajava de machinista, e o chefe de tracção e officinas sr. Joaquim Lopes.
Acompanhava o comboio uma banda de musica.
Na cauda vinha uma carruagem-salão, em que tomaram logar, alem do pessoal superior da Companhia e outros cavalheiros, a commissão das festas, que daqui foi a Paçô fazer a espera.










Ao apeiaren-se, o sr. Conselheiro Florencio Monteiro foi o que iniciou os vivas, que proseguiram, correspondidos sempre com ardor.
Em seguida, no estrado, onde permanecia a câmara, depois de trocados muitos cumprimentos, discursa o director da Companhia sr. Reis Porto, que, fazendo o elogio da nossa terra declara aberta á exploração a linha férrea.
Termina por levantar vivas a Fafe e ao seu povo.
Seguiu-se-lhe o presidente da câmara sr. Dr. João Leite de Castro, que discursa sobre os benefícios da linha trazidos a Fafe, melhoramento que há muito todos nós aspiramos, e attribue esse melhoramento á boa vontade do sr. Conde de Paçô Vieira e do extinto Soares Velloso, e simultaneamente, á intelligencia e actividade do sr. Reis Porto. Concluindo, saúda o povo de Fafe.










E’ depois lido o auto inaugural pelo guarda-livros da Companhia sr. Francisco Garrido Monteiro, que, cavalheiros de Fafe, Guimarães, Porto weGraga, assignam.
Depois disto, partiu a comissão das festas, pessoal da Companhia e convidados, seguidos por duas bandas de musica, para a villa. Os vivas, que tinham sido levantados no estrado, proseguem – ao sr. Reis Porto, á Companhia do Caminho de Ferro, engenheiro Lima, aos hospedes de Fafe, e outras individualidades, - que são correspondidos com indiscrptivelenthusiasmo. Immediatamente marcha a corporação dos bombeiros com a sua banda, que tinha feito a guarda d’honra.
Muito povo acompanha»

Reproduzido do “Almanaque Ilustrado de Fafe”, 1911