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27 de novembro de 2009

GRIPE A "HÁ MALES QUE PODEM VIR POR BEM"



O surto de vírus H1N1 que tem, também, afectado o nosso país, obrigou à modificação de alguns hábitos, com maior incidência para as realizações públicas em recintos fechados. A concentração de um número elevado de pessoas em espaços pouco arejados aumenta o risco de propagação de mais um vírus altamente contagioso.

A Direcção Geral de Saúde tem feito campanhas de prevenção contra a Gripe A, sugerindo cuidados a seguir, sobretudo nos espaços públicos.


O ano está a terminar e Fafe terá de repensar algumas manifestações culturais que têm congregado numeroso público em recinto fechado.
Os Encontros de Cantadores de Reis, das escolas e das colectividades, terão obrigatoriamente de ser ponderados.
Não me parece ser boa ideia, no contexto actual, juntar milhares de crianças e adultos no espaço fechado do Pavilhão Multiusos. Faze-lo é correr o risco de contágio.
É claro que ninguém pode provar que, nestas circunstâncias, a disseminação é uma certeza, contudo penso que aqui pode e deve aplicar-se o velho ditado popular, “o seguro morreu velho”.
Não sendo uma situação dramática, é certamente um caso que dá para pensar.


Mas, nem tudo é negativo neste processo. O Encontro de Cantadores de Reis do Concelho de Fafe, que já vai para a sua 25ª edição, há muito que deveria ter visto o seu formato alterado e consequentemente melhorado.
Levar a palco mais de trinta grupos amadores, no mesmo serão e avaliá-los no final para escolher os vencedores, é no mínimo cansativo.
Como eu acredito que, por vezes, “há males que vêm por bem”, avanço aqui uma ideia que há muito tempo me invade o pensamento: Porque não se aproveita a circunstância para alterar o modelo dos Encontros de Reis?
Devolver a tradição ao seu meio natural, sem espectáculo assumido, sem competição denunciada, sem as novas tecnologias de som, que só atrapalham os executantes menos experientes.
Inscrevam-se os grupos e anime-se o centro da cidade com reisadas, cantadas de forma natural e espontânea, sem amplificações e cenografias de gosto duvidoso. Crie-se espaço próprio para o júri apreciar os reis de cada grupo e instale-se “tasquinhas” com bom “néctar” e petiscos inspirados nos sabores tradicionais. Realize-se uma festa popular em torno de uma tradição que não deve ser perdida e que, em Fafe já atingiu proporções inigualáveis em toda a região. Exorcize-se o vírus maldito num convívio de verdadeiro folclore, abandone-se de vez o velho modelo de “reis-espectaculo” até porque, “Há males que podem vir por bem”.

Publicado também no jornal Correio de Fafe de 27 de Novembro de 2009





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