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1 de julho de 2010

Carta Municipal de Património Cultural é Urgente

Uma triste realidade cada vez mais frequente entre nós.


Em Fafe, o Património Cultural apresenta-se, nas suas diversas vertentes, com valores extraordinariamente importantes para a preservação da memória colectiva deste rincão minhoto com mais de seis mil anos de História.
No entanto, apesar da riqueza deste património, o Município de Fafe ainda não possui um conhecimento real e sistematizado das suas potencialidades.
Fafe carece de uma Carta Municipal de Património Cultural, instrumento fundamental para a salvaguarda, estudo, valorização e divulgação deste Bem colectivo que nos identifica e temos todos a obrigação de proteger… até pela Lei vigente.
A inventariação sistemática e abrangente do Património Cultural Municipal, em todas as suas valências e diversidade, está por fazer ou, em alguns casos, por completar e actualizar.
Exceptuando alguns - poucos – trabalhos publicados, em Fafe o Património Cultural é ainda um Mundo por descobrir.
A inexistência da Carta do Património, enquanto instrumento essencial para a sua gestão, tem provocado danos irreparáveis: vestígios arqueológicos agredidos e destruídos; Património Arquitectónico Histórico votado ao abandono; desmantelamento, saque e alienação de estruturas rurais (espigueiros, moinhos de água, alpendres, entre outras); Capelas, sobretudo particulares, em avançado estado de ruína; pontes históricas do concelho esquecidas; cruzeiros, alminhas e outro Património de cariz religioso parcamente inventariado e estudado; Património Imaterial, recolha de usos e costumes da vivência de antanho do imaginário popular, através de recolhas orais por realizar, ou pelo menos não divulgada; Bens Móveis com valor Histórico e Etnográfico continuam, em grande parte, no anonimato; temos ainda a gastronomia local, que acreditamos não se limita à vitela assada “à moda de Fafe” que, se nada for feito, tem os seus dias contados; identificação e registo de espécies documentais dispersas por Instituições Públicas e Privadas longe de satisfazer as necessidades da investigação Histórica da Idade Moderna (louve-se aqui a recente aquisição pelo Município do acervo fotográfico do Foto Víctor).
As Cartas Municipais de Património Cultural têm surgido em Municípios um pouco por todo o país.
Em Fafe, no actual estado do nosso Património, torna-se urgente criar as condições para a elaboração deste instrumento capital para a gestão articulada com o Plano Director Municipal (PDM) em revisão.
Não podemos proteger o que desconhecemos. Urge envolver a comunidade e sensibilizar as Instituições com responsabilidades sobre o Património Cultural, visando, pelo menos, estancar a delapidação desta Herança que é pertença de todos.


Peça também publicada no Jornal Correio de Fafe, 2 de Junho

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