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13 de setembro de 2010

ARQUITECTURA BRASILEIRA PORMENORES



"Na segunda metade do século XIX e primeira metade de XX, os emigrantes de retorno edificam em Fafe as suas habitações, definindo um recorte arquitectónico original e uma estrutura urbana de novas ruas e praças, à imagem das que conheceram do outro lado do Atlântico e que lhes deu a fortuna.


As casas particulares, construídas por emigrantes do Brasil, surgem no centro cívico de Fafe, entre 1860 e 1930 e, pelas suas caracteristicas arquitectónicas particulares, vieram a ser designadas por "Casa do «Brasileiro»".
Nesta perspectiva, algumas edificações (o palácio, a casa apalaçada vertical ou horizontal e o palacete) remetem para um quadro de leitura urbana da "Casa do Brasileiro", como expressão de representação simbólica de retorno.

Na arquitectura e decoração das fachadas das casas rebocadas e caiadas, ou cobertas com azulejos, estão presentes as cores do Brasil, os beirais de faiança, as varandas estreitas com grades de ferro forjado ou fundido, ricamente ornamentadas, as platibandas  decoradas, os lanternins, as clarabóias e as estatuetas, rematando as edificações.


No interior, pode observar os átrios decorados com azulejo, as escadarias de madeiras preciosas, os tectos de estuque (de influência inglesa), as portas e as janelas altas encimadas por bandeiras com vitrais coloridos, os lustres de cristal, os delicados móveis e porcelanas e nas paredes, bilhetes-postais com vistas do Rio de Janeiro, oleografias e litografias coloridas. O piano e o bilhar completam a teatralidade da figura do "Brasileiro" e do seu tempo.




Este olhar minucioso dar-lhe-á a conhecer a arquitectura e a elegância decorativa de um tempo recente, já muito destruídas pelas novas construções e a sensibilidade de quem cuida do desenho e decoração da cidade.
Do espaço público desapareceram, entretanto, os fontenários em ferro fundido e os mictórios implantados mesmo no meio da Praça.

As guardas de ferro, que acompanhavam a Arcada regressaram..., mas não regressam mais alguns dos mais belos imóveis que ruíram à força do martelo e que hoje apenas pode ver em postais ilustrados."




Miguel Monteiro
In: "Monografia da Freguesia e Cidade de Fafe (3ª edição Junta de Freguesia de Fafe 2008)

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