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7 de novembro de 2010

FAFE FOI O MAIOR PRODUTOR DE CHAPÉUS DE PALHA DO PAÍS



Nos anos 50 do século passado a trança e a confecção de chapéus de palha correspondiam a uma das mais características indústrias do concelho rural.

Um pouco por toda a região de Fafe muitas mulheres e até crianças, ocupavam-se em fazer trança com colmo de centeio molhado que as artífices colocavam, em pequenos molhos, sob o braço esquerdo, que suspendia também a trança à medida que crescia.

Fazia-se trança a todas as horas, o lavor apenas era suspenso nas horas das refeições ou na necessidade de participar em outra tarefa de lavoura. Antes de o sino tocar para a missa vespertina, já elas moldavam as finas “palheiras” com uma destreza manual alucinante. Seguiam para a Igreja sempre de mãos ocupadas, interrompiam durante a missa e logo na saída retomavam este trabalho muitas vezes ambulante, durante o dia, à noite organizavam-se as «fazidas de trança», serões exclusivamente destinados a este serviço. Existiam várias técnicas de entrançar a palha: francelins, tocas, peixeiras, redilhas e escumilhas.

O produto finalizado era vendido às braças (medida da trança correspondente á distancia entre os punhos de um individuo de braços abertos).

O maior produtor de chapéus de palha, naquela época, era a freguesia de Travassós. Vinhós e Golães foram também lugares importantes nesta indústria.

A trança era cosida à mão ou em máquinas dando forma aos chapéus de palha, de vários tipos e tamanhos que as aldeãs carregavam em grandes pilhas para negociar em feiras.

Fafe era na altura o maior produtor de chapéus de palha fornecendo os quatro cantos do país, fazendo também exportações para vários outros países.

Esta é ainda uma tradição que se mantém em diversas freguesias do concelho, perdeu a importância de outrora. Transformou-se em artesanato. Contudo ainda há quem faça trança e confeccione chapéus de palha, é sempre um complemento para os cada vez mais magros orçamentos familiares. Não será de estranhar que esta actividade venha a crescer nos próximos tempos, no concelho de Fafe.

Algumas das tradições quase perdidas poderão ser retomadas, não para recriação mas como imperiosa necessidade dos que ainda não abandonaram o meio rural.


Fonte: Pereira, Maria Palmira da Silva, Fafe, Contribuição para o Estudo da Linguagem, Etnografia e Folclore do Concelho, Coimbra 1992.

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