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25 de novembro de 2010

UMA VIAGEM PELO ARTESANATO FAFENSE DOS FINAIS DO SÉCULO XX



É rico e tradicional o artesanato fafense por todo o seu extenso concelho, e que de algum modo ocupa muita gente em regime de sobrevivência. É um artesanato feito quase em família, e que vem de gerações em gerações… Talvez quem compre algum chapéu de palha para se resguardar do sol, certamente não calcula que esse seu protector solar fosse feito nestas bandas de Fafe. Mas ele é também atrevido embaixador no estrangeiro, pois é exportado para lá. Mas não são só executados os frescos chapéus de palha; as mãos destes incógnitos artistas fazem também tapetes, revestimentos para garrafas, ceiras para bebé, carpetes esteiras, carteiras…

A arte de trancar palha de centeio está implantada mais em Golães, mas também com forte implantação noutras localidades: Agrela, Serafão, Fareja, Fornelos, Revelhe (que exporta para o país), Estorãos, Passos, Freitas, Travassós, Queimadela, Vila Cova e Vinhós.

Em Queimadela fia-se lã e ovelha e há fabrico de mantas. Em Gontim, fazem-se perucas e capas de burel. Em Aboim funciona uma pequena oficina de carros de bois; Em S. Miguel do Monte, as meias de lâ de ovelha. Em Vila Cova fazem-se cobertores e mantas de cores diversas. Em Várzea Cova fia-se à roca. Em Pedraido tecem-se em velhos teares manuais mantas de burel e capas sem capuz, em lã de ovelha, e mantas de cama. Em Regadas, as bordadeiras executam primorosamente toalhas de mesa em ponto de cruz. São perto de três dezenas que vivem exclusivamente desta produção.

As mulheres de Vila Cova faziam tecelagem de lã e de linho. No lugar de Bustelo tecem-se panos de linho e mantas de trapos.

Em Moreira do Rei, Avelino Rodrigues, do lugar da Feira fazia jugos trabalhdos artisticamente, enquanto em Quinchães, fabricavam-se crivos para cereais e ainda peneiras e ratoeiras, de que se ocupa uma trintena de pessoas, sobretudo no lugar de Casadela. No vizinho lugar de Docim sete famílias ocupam-se a fazer tamancos ou socos, alguns com enfeites muito curiosos. Em Armil, a cestaria tem uma palavra a dizer, sobretudo cestos destinados às vindimas em “aregrilhos”, salgueiro e cana. Em Freitas ainda as mulheres se ocupam em teares manuais primitivos, fazendo dos trapos belas mantas e admiráveis tapetes.



Fonte: Oliveira A. Lopes de, Fafe e o Seu Concelho, Câmara Municipal de Fafe, 1982.





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