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20 de dezembro de 2010

FEIRA DE NATAL 2010, SÓ FALTOU O PÚBLICO


Em ano que não se realizou a habitual Feira de Artesanato, a Naturfafe promoveu no passado fim-de-semana, 18 e 19 de Dezembro, uma pequena Feira de Natal, no espaço do Posto de Turismo de Fafe.

Segundo os responsáveis, esta iniciativa pretendeu dar mais um contributo para a divulgação do nosso Artesanato, proporcionando a alguns artesãos locais uma oportunidade para venderem os seus produtos.

Durante os dois dias da mostra, cinco artesãos demonstraram ao vivo como fazem as suas peças.

Dilermando Silva esteve presente com as suas obras em couro, muito variadas, onde não faltaram as velhas fisgas, brincadeira de arremesso de tantas infâncias passadas
Os produtos em palha foram apresentados pela artesã Maria Fátima Nogueira de Golães, que continua, apesar da sua idade respeitável, a fazer chapéus e outras peças com a trança de palha de centeio, que segundo Maria Fátima “está cada vez mais difícil de obter”. Revelou-nos também que aos seis anos de idade já costurava os chapéus manualmente. Os seus pais tinham uma pequena indústria artesanal que fornecia também mercados da Madeira e Açores. Com apenas 12 anos de idade já negociava na Feira Semanal de Fafe.

Actualmente mantem-se no activo dando formas à palha entrelaçada, com a ajuda de uma máquina que agora é eléctrica mas durante muitos anos era accionada por pedal.

Maria Teresa é uma pessoa especial, diferente. Apesar disso consegue transformar simples “trapos” em mantas aconchegantes e bonitos tapetes, pacientemente feitos num tear manual, primário que nos remete aos primórdios da tecelagem. Maria passou pela Cercifaf e foi naquela Instituição que desenvolveu a sua especial habilidade manual.

O tear é a sua vida. Teresa gosta do que faz e fá-lo com uma destreza que nos impressiona.

Meias de pura lã de ovelha, quentes, para todos os pés e de cores diferentes, são feitas por Clemência Rocha de Estorãos.

Criada no meio rural, desde muito cedo dividia a pastorícia com a manufactura das meias.

No principio fiava a lã com a roca, só depois de casar conseguiu comprar uma roda de fiar por 150$00. Ao fim de muitos anos, a mesma roda continua a girar com a pressão do pé descalço de Clemência, que continua a manter o seu posto de venda na Feira Semanal de Fafe.

Maria José Castro Lopes é natural da freguesia de Infantas, Guimarães. Está em Fafe há trinta e sete anos. Esta artesã da Casa de Valadas em Travassós, faz bordados, rendas e croché. Diz ter aprendido a arte com apenas 9 anos, durante as férias escolares, com uma senhora da Lixa. Confessou não gostar muito de feiras, preferindo trabalhar por encomenda.

Foram estes os artesãos que protagonizaram a primeira edição da Feira de Natal, que talvez por isso e pelo excesso de frio, não teve grande afluência de público.

Foi também a Feira possível, em tempos difíceis de crise profunda, onde inevitavelmente o Artesanato fica em plano inferior.










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