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13 de janeiro de 2011

"ESPAÇO DA MEMÓRIA" UM PROJECTO COM CORPO E MUITA ALMA CARENTE DE APOIO


Um Grupo de fafenses agregou interesse em redor de uma causa comum; Um “Espaço da Memória”.
O gosto por vivências passadas, leva-os a angariar velhas peças representativas de um quotidiano desaparecido, que querem preservar e transmitir às gerações futuras.


A ideia surgiu há cerca de dois anos, quando José Silva (J.J.Silva), mentor do projecto, conseguiu sensibilizar outros conterrâneos para a necessidade de salvaguardar a memória colectiva de um Povo, que, pouco a pouco vai perdendo a sua identidade genuína. Filipe Sampaio, Armando Marques, Teresa Silvestre, Soledade Vaz entre outros, lançaram mãos à obra e desenvolvem um meritório trabalho de recolha de espécies etnográficas e outras que nos lembram uma História recente cujos “artefactos”, os mais jovens, não conhecem.

 

“São peças do passado que o presente descarta como ironia deslavada, onde o sarcasmo é pura e simplesmente sinónimo de ignorância e marasmo”, referiu J.J. Silva.

Centenas de espécies “museológicas” foram já recolhidas, por doação ou empréstimo. Algumas encontram-se expostas no exíguo espaço das Galerias Belart.

Os responsáveis querem agora fazer a catalogação de todo aquele espólio, onde, só como exemplo, vimos: faianças, bicicletas, relógios, televisores, gira discos, instrumentos de trabalho e tantos outros testemunhos vivos de um passado não muito longínquo que para muitos já caiu no rio do esquecimento.

“Por vezes fazem-se coisas de grande porte, gigantescas, acompanhadas de gestos grandiosos, mas esquece-se das coisas pequenas, coisas que não dão nas vistas, não chamam a atenção… Aquelas são tão grandes que a nossa mesquinhez não as alcança, estas, pura e simplesmente as olvida e dá-as ao desprezo”, desabafou J.J. Silva.

O Grupo do “Espaço da Memória” procura angariar simpatias e novos colaboradores, não descartando a hipótese de criar uma associação ou fundir-se em outra que tenha os mesmos anseios e trabalhe nesta vertente Cultural.

Os promotores desta iniciativa, ainda embrionária, pretendem, num futuro próximo, lançar os “Cadernos da Memória”, um projecto editorial, despretensioso que sirva para divulgação e informação da actividade e das colecções do “Espaço da Memória”.

“Sabemos que há peças quase perdidas pelos sótãos e caves, que podem virar ferro velho passando a ser massa informe, sem rosto, sem nome, sem referência e sem memória referencial.” Referiu a organização.

O “Espaço da Memória faz o apelo aos detentores de peças antigas, visando a sua conservação… há sempre um lugar onde elas serão preservadas e situadas, devidamente catalogadas com a respectiva indicação da proveniência.

A organização gostaria de poder utilizar um espaço mais amplo, que permitisse optimizar a exposição, renovando-a ciclicamente e valorizando o espólio imprimindo-lhe o cariz didáctico que merece. Um espaço onde, sobretudo a comunidade escolar pudesse conhecer um pouco dos seus antepassados e ver pela primeira vez peças curiosas, únicas ou que sofreram evolução. Um espaço que viabilizasse exposições temáticas e permitisse inclusivamente trabalhar com os jovens em ateliês diversos, dando um contributo para uma saudável e enriquecedora ocupação dos tempos livres.


O “Espaço da Memória” não tem qualquer apoio oficial, nomeadamente da Autarquia local que não tem mostrado interesse no desenvolvimento deste projecto. Sublinhou J.J.Silva que escreveu: “A Memória não tem tempo nem espaço, é imaterial mas os seus rastos e as suas marcas materiais palpáveis poderão ter e estar num espaço onde se olhem e vejam como verdadeiras referencias e verdadeiras obras de arte que mãos humanas fizeram e com elas outras realizaram…”

O Grupo trabalha desinteressadamente, por mera carolice e sobretudo pelo gosto na preservação, valorização e divulgação de um Património Cultural móvel intrinsecamente relacionado com o Património Imaterial, do qual todos os dias de perdem importantes páginas da nossa memória colectiva.

O “Espaço da Memória” já existe em instalações cedidas pelas Galerias Belart, no nº 74 da Praceta Dr. Parcídio de Matos (Devezinha). Pode ser visitado e está receptivo a guardar aquelas peças que estão esquecidas em um qualquer canto.

Entretanto os promotores desta louvável iniciativa, no cumprimento do dever que todos temos em salvaguardar o Património Cultural, continuarão a sua nobre tarefa de resgatar para o futuro uma memória que estaria condenada a perder-se.





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