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15 de janeiro de 2011

O JOGO DO PAU NA SOCIEDADE DE RECREIO CEPANENSE



O Jogo do Pau tem largas tradições na nossa aldeia e no nosso concelho.

Usado como instrumento de defesa e ou de afirmação de um certo ascendente ou supremacia de uma certa classe ou família, a arte de manejar o pau com

destreza é oriunda das classes baixas “ pés descalços” , tanto mais que o pau era e ainda é bem característico do lavrador que vai á feira comprar ou vender gado e o utiliza para tanger os animais ou para debandar duas cacetadas na refrega de uma discussão.

Diz quem viveu essa época ou quem ouviu falar de décadas atrás, que, no Minho, seria normal dar com uma boa rixa de paulada na hora de desfazer as tendas das feiras, sendo preciso chamar a Guarda para que cada qual fosse para a sua banda, mesmo com as contas a ajustar noutras alturas.

Isto que se chama agora Jogo do Pau era um “divertimento” muito sério e era normal os intervenientes saírem no mínimo com algumas pisaduras, pois ás vezes até o sangue escorria.

Longe das rixa de outros tempos, o Jogo do Pau nem por isso se perdeu, não fosse Fafe terra de “justiça” antiga na base da cacetada.

O Jogo do Pau é talvez o jogo com maiores raízes locais e o mais tipicamente nacional, demonstrando a perícia do manuseamento da antiga arma de combate popular na região, tornando-se hoje numa aparente luta praticada pelo povo desde há longos anos utilizando-se varapaus feitos de madeira de lodão


Actualmente o Jogo do Pau é mais uma modalidade desportiva, que trabalha para a exibição, embora no caso da equipa da S.R.C. mantenha as características primitivas.

A história do Jogo do Pau em Cepães, remonta a várias décadas. Com efeito há notícias se jogar há muito sem que se possa determinar ao certo.

Sabe-se entretanto, que acerca de 50 anos existiam bons pares de jogadores, alguns ainda vivos, que terão jogado o pau desgraçadamente, isto é sem formar equipa. Jogava-se então forte e feio, era o pau a defesa. Mais tarde, de uma geração mais nova, renasceu o jeito por esta arte e, em grupo mas desorganizado, alguns moços foram mantendo acesa a chama. Até que em Assembleia Geral, por desejo desse grupo, a 3 de Janeiro de 1976, foi feita a sua integração na S.R.Cepanense.

De entre os números de seu repertório salientamos:

O Jogo da Quelha - utilizado pelo praticante para se desenvencilhar de uma espera de um ou mais indivíduos;

Roda do Meio – gente a formar um circulo e o jogador vai defender-se de todos afastando-os e tentar furar a roda; e fugir.

Contra - Jogo – luta homem a homem;

Um Bater Dois – são dois homens virados a um, que tenta defender-se

O Jogo do Pau foi e é ainda uma das actividades emblemáticas desta colectividade, com a criação da equipa da S.R.C. na década de 70, teve os seus momentos áureos sob a orientação do seu primeiro mestre o Sr. Zé “Qéu” e com o 1º Encontro Nacional do Jogo do Pau, Organizado pela Sociedade de Recreio Cepanense em Maio de 1986, tendo sido feitas reportagens nas rádios nacionais e também sido objecto de reportagem da R. Televisão Portuguesa. foi, sem duvida, a partir desse momento que se formou uma certa curiosidade geral interessada em saber e conhecer melhor a sua história e o seu manejo.

O Jogo do Pau regista inúmeras actuações em vários tipos de eventos desde feiras de artesanato da qual destacamos a feira de Vigo-Espanha, a de Tomar em 1985 a feira das regiões em Lisboa, em 1985 e Coimbra em 1983, a colaborações em diversas filmagens para a R.T.P. bem como algumas actuações ao serviço do FAOJ e da DGD e a actuação aquando da vinda a Fafe do Presidentes da Republica Sr. Ramalho Eanes. salientamos mais recentemente as actuações em vários encontros e festivais do jogo do Pau, tais como em Lisboa, Portimão, Fafe entre outros, as deslocações ao estrangeiro, nomeadamente ás Canárias, Tenerife – Espanha e feiras de artesanato em Famalicão, Póvoa de Varzim, bem como actuação aquando da visita a Fafe do Presidente da República Sr. Dr. Jorge Sampaio, a recente presença no programa da R.T.P do historiador Dr. José Hermano Saraiva, sobre a cidade de Fafe, alem de tradicionais festas e romarias por todo o país.




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