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15 de abril de 2011

FREGUESIA DE REGADAS REVELA MOINHO DE ÁGUA SECULAR

Moinho do Rio, Regadas


A freguesia de Regadas, segundo as Memórias Paroquiais de 1758, era fértil em moinhos de água, dos quais ainda conserva alguns mais ou menos preservados.

O moinho localizado na Rua 10 de Junho, no lugar do Rio é uma construção em pedra, com aparelho constituído por grandes e bem trabalhados blocos de granito de grão grosso da região. Esta estrutura serviu para a moagem de cereais e pertence à classe dos moinhos de rodízio.


Um dos engenhos
O piso superior corresponde a um espaço dividido a meio por uma parede, também em pedra, que separa duas “salas” independentes, com portas individuais, onde se observam os restos de dois engenhos de moagem, nomeadamente os “poisos” e parte do sistema de alimentação em madeira: as “moegas” e as “tramonhas”.

A cobertura, em telha do “Prado”, assente em estrutura de madeira, encontra-se em razoável estado de conservação.
No exterior, entre as portas, localiza-se o “cubo”, uma estrutura em cone invertido, construído com grandes blocos graníticos, correspondendo a um “fosso” de carga com cerca de três metros de diâmetro máximo, cerca de meio metro na saída e aproximadamente quatro metros de profundidade.


Destaque para uma data gravada a cinzel na padieira de uma das portas: 1613.


Cubo
No piso inferior localiza-se a caldeira. É aqui que se encontra o sistema da força motriz do moinho; dois rodízios, actualmente em ferro. A abertura da caldeira é feita com aduelas que formam um arco de volta perfeita que remata uma abobada de berço composta de grandes blocos graníticos bem aparelhados

Este moinho de engenho duplo era alimentado por uma levada, ainda perceptível no terreno, com origem na Ribeira de Regadas, afluente do Rio Bugio. A água entrava no cubo munido de duas seteiras na saída, apontadas aos rodízios.

Caldeira e rodízios


As características arquitectónicas deste moinho, nomeadamente o arcaísmo da caldeira e do cubo em “fosso”, absolutamente sui generis, a própria cantaria do piso superior e naturalmente a data gravada na padieira de uma das portas (1613) revelam que estamos perante um testemunho de arquitectura tradicional centenária de elevada importância, com aspectos estruturais únicos na freguesia e no concelho. A origem recuada deste moinho é evidente, podendo de facto estarmos a falar de uma construção do século XVII.

É evidente que esta obra secular foi sofrendo alterações ao longo do tempo, próprias da evolução histórica do edifício.

Arco da caldeira


O moinho do Rio em Regadas é um dos exemplares mais antigos do concelho de Fafe e um excelente objecto de estudo para os molinólogos.

A Associação ATRIUMEMORIA vai, em breve, iniciar o estudo desta pérola da arquitectura tradicional que merece ser conservada e valorizada.



Destruir esta pérola da arquitectura tradicional seria "crime de lesa Património"






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