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9 de maio de 2011

CORTEJO A NOSSA SENHORA DE GUADALUPE UM DOS MELHORES DOS ÚLTIMOS ANOS




Na tarde do passado Domingo 8 de Maio teve lugar, em Cepães, o tradicional Cortejo em honra de N. S. de Guadalupe, padroeira dos agricultores, virgem muito devotada naquela freguesia, em particular, onde por ocasião da romaria a Ela dedicada, no primeiro fim-de-semana de Junho, acorrem muitos forasteiros.

Com alguma certeza, sabe-se que o culto à Senhora de Guadalupe, em Cepães, existe desde há mais de três séculos. No lugar do Terreiro, próximo da Igreja Paroquial, foi erigida, no século XVII, uma capela votada à Virgem de Guadalupe, cujo culto foi trazido de Sevilha para Portugal em meados do Século XIV.

Cumprindo uma tradição que se perde no tempo, os cepanenses voltaram a realizar o cortejo à Senhora milagrosa. No inicio da tarde saíram carros alegóricos dos três principais lugares da freguesia: Gaia, S. Tiago e Devesinha, para depois se juntarem e desfilarem por artérias da freguesia. Como é habitual esta manifestação popular foi bastante assistida, por residentes e muitos forasteiros oriundos de terras vizinhas.

Este ano a Comissão de Festas organizou um cortejo ainda maior que em anos anteriores. Vinte e três carros, maioritariamente, tractores com cargas de madeira; os carros com as ofertas para leiloar incorporaram também este desfile, com grande carga satírica, onde nem o “falecido” Bin Laden escapou. Desfilaram também carros e figurantes com representações etnográficas; grupos de tamborileiros, gigantones e concertinas, marcaram o ritmo da “marcha”, onde aqui e ali surgiram mascarados em jeito de Carnaval fora de tempo que arrancaram as gargalhadas do numeroso público.

Este cortejo de oferendas, dos maiores em todo o concelho de Fafe, é cada vez mais um misto de tradição, memória e devoção revelada pelas numerosas dádivas do Povo que não quer que falte nada na festa que e aproxima a passos largos.

É uma manifestação popular onde o “profano” também marca a sua presença, com cenas “obscenas” de raiz pagã. Mas o cortejo é feito pelo Povo para o Povo que quer manter viva uma traição que o tempo vai moldando em função das mentalidades.

A novidade deste ano foi a realização de uma “Feirinha Tradicional” no largo contíguo à capela, muito concorrida e onde se vendeu produtos artesanais, hortícolas, aves, doçaria regional entre outros.

Segundo a organização o objectivo foi ultrapassado, com uma das maiores participações, o cortejo a Guadalupe foi, este ano, uma prova de força contra a crise instalada. Em tempos difíceis os crentes apegam-se mais à religião, avultando as suas preces, neste caso, à sua tão venerada Virgem de Guadalupe.

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