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25 de julho de 2011

PRIMEIRA MONOGRAFIA DE FAFE FOI ESCRITA HÁ 275 ANOS


Trata-se de um documento manuscrito com dezassete páginas, guardado no Arquivo Distrital de Braga, intitulado “Monografia de Fafe”. O autor foi um antigo pároco (durante 8 anos) de Santa Eulália Antiga de Fafe de seu nome João de Sousa Homem que assinou este precioso testemunho em 4 de Julho de 1736. Homem culto, com uma licenciatura na Universidade de Coimbra, pode ser natural do concelho de Fafe, onde permaneceu após cessar funções em 1737. Viria a falecer em 11 de Novembro de 1754. Está sepultado na Igreja Matriz desta cidade, junto ao altar de Nossa Senhora do Rosário.

O pároco fez uma breve caracterização do concelho de Montelongo, espraiando-se na freguesia de Santa Eulália Antiga de Fafe. “Chama-se Antiga por tradição de ser a primeira Igreja nestas terras e a que primeiro teve sacrário do Santissimo Sacramento”.

Fafe era cabeça do concelho de Montelongo, tinha 1950 habitantes e 300 fogos distribuídos por treze lugares principais: Bouças, Fafoa, Crasto(Santo Ovídio), Calvelos, Sá, Feira,(Feira Velha), Santo, S. Gemil, Portugal, Ponte da Ranha, Pardelhas, Assento (zona da Igreja Matriz) e Fafe, este último copm “duas ruas continuadas, rua de Baixo e rua de Cima”. No extremo poente da actual Praça 25 de Abril, existia na época, um conjunto de edifícios onde estavam instalados o Tribunal, a Câmara e duas cadeias (para homens e mulheres). “Tem seu pelourinho de fronte e forca pouco acima em um rochedo (perto do actual Jardim do Calvário).

Estes edifícios, muito deteriorados, foram demolidos no inicio dos anos 20 do século XX. Quanto ao pelourinho e a forca, desapareceram sem conhecermos mais pormenores. O Padre João Homem refere, apenas, que um monge do Mosteiro da Costa (Guimarães) garantiu-lhe que “vira um privilégio para que não morressem enforcados os naturaes da terra”.

Naquele tempo, Fafe gozava de duas Feiras Francas: uma no primeiro dia de cada mês “onde se vendem gados, porcos e toda mais mercancia e mercearia e outra anual, realizada em 22 de Agosto, chamada de S. Bartolomeu com a duração de dois dias, “no primeiro he de toda a mercancia, no segundo he de gado”.

Fafe no século XVIII tinha algumas casas nobres com os respectivos brasões, destacavam-se as “grandes casas que foram pertença dos Condes de Basto” e “outras bizarras casas ao moderno com suas armas da nobre família dos Magalhães, Coelhos, Rebellos e Araújos”… estes edifícios encontravam-se ao longo das ruas de Cima e de Baixo intercalados por jardins e quintais.

Na parte final do seu relato, Padre João diz: “Como esta terra antigamente foy menos culta que hoje (que parece um jardim) conserva espessas mattas em que se accultavão grandes lobos e javalis pelo que houve aqui famosos fojos que só conservão o nome e alguns vestígios nos seus sítios. Raras são as partes em que se não achem signaes de habitação como são alicerces cantarias lavradas e repartições de tijolo.” Numa clara alusão a restos de construções de uma ocupação medieval ou até anterior.

Este documento é um instrumento fundamental para o conhecimento do lugar de Fafe no século XVIII. As informações são escassas e por isso esta “Monografia” merece ser esmiuçada. É o que pretendemos fazer, prometendo voltar ao conteúdo deste manuscrito, sempre que possível com notas interpretativas, dando o nosso humilde contributo para a divulgação da História de Fafe.




Fonte: “Nas Origens do Concelho de Fafe. O Discurso Fundador do Pároco de Santa Eulália de Fafe em 1736” por Rogério Borralheiro (Actas das Primeiras Jornadas de História Local, Câmara Municipal de Fafe, 1996.



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