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12 de outubro de 2011

HORTINHA URBANA PRODUZ HÁ MAIS DE DUAS DÉCADAS

Avelino e esposa Rosa Fernandes
As hortas biológicas urbanas e domésticas estão na moda. Varandas e terraços das cidades são cada vez mais povoados com vegetais para alimentação. A crise parece ter aumentado esta prática biológica, aliciando muitos portugueses a produzirem legumes, ervas aromáticas e outros produtos hortícolas em suas casas. Se hoje é moda, há duas décadas atrás seria uma “mania”, algo pouco vulgar que muitos consideravam improdutivo.
Avelino Costa Ribeiro, há vinte e um anos tomou conta de uma antiga taberna designada “Tasco do Valença”. Este negócio, localizado na rua José Ribeiro Vieira de Castro, recebeu o nome de “Café Cor de Rosa”, talvez por influência do nome da companheira de Avelino Ribeiro, Rosa Fernandes.
Avelino nasceu e cresceu naquela rua. Neto de lavradores, filho de operários da “Fábrica do Ferro”, foi trabalhador do comércio em várias casas de Fafe, entre elas o “Mário da Louça” uma das mais emblemáticas casas comerciais da antiga Vila, onde trabalhou durante trinta anos. Avelino adquiriu o negócio numa altura em que a “Fábrica do Ferro” tinha cerca de quatrocentos operários. Apesar da azáfama diária do café, Avelino Ribeiro teve sempre uma grande atracção pelo campo, “não gosto de estar preso”, afirma. Impossibilitado de sair com a frequência de outros tempos, desde logo idealizou uma forma de escapar à rotina e, num estreito corredor marginal ao edifício instalou a sua hortinha biológica urbana e doméstica.


Avelino Ribeiro e a sua hortinha

Em contentores de esferovite reutilizados, a turfa e a “terra preta” são misturadas a preceito para depois receberem as sementes que o “hortelão” criteriosamente semeia. Ribeiro diz que a sua hortinha é um vício que tem muito gosto em ter adquirido, um espaço neutro entre o café e a urbe. É ali que Avelino é feliz e alivia a mente vendo criar o fruto da sua dedicação e amor por uma actividade que, nos tempos actuais, é também um complemento do orçamento familiar. Naquele cantinho há “novidades” todo o ano. Há vinte anos que assim acontece. Os mais variados produtos hortícolas e ervas aromáticas criam-se naquele “oásis” biológico que não se queixa da poluição.

Avelino Ribeiro nunca imaginou ser o impulsor de uma prática que vinte anos depois ganha cada vez mais adeptos. Também no seio dos vizinhos do “Café Cor de Rosa” o “bichinho pegou” e a cada passo são feitas permutas de sementes e plantas trocando experiências adquiridas. É que isto da cultura biológica tem os seus melindres e aí Avelino Ribeiro com a sua longa experiência vai aconselhando os seus seguidores. Um “contágio” benéfico, para a saúde e para as carteiras cada vez mais magras.


  

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