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7 de fevereiro de 2012

"AQUILO DE PARLAMENTO... É UM CARNAVAL PERFEITO"




“Mais uma vez o calendário, no seu eterno fadário de anunciar aos quatro ventos o que lhe mandam, (no que mostra ser bom filho) registou para o principio de Março o Carnaval deste ano de 1924, que Deus ampare para gáudio dos açambarcadores e pesada cruz de todos nós.
E, francamente! Isto de Carnaval em dia fixo do ano é uma fita como outra qualquer e com o que eu não concordo, ressalvada – é claro! – toda e qualquer opinião melhor.
É que, afinal de contas, se boas contas deitarmos à vida, voçes querem melhor Carnaval que esta vida que todos nós levamos?
Todo o ano é Carnaval. Carnaval de todos os meses, Carnaval de todas as semanas, de todas as horas, Carnaval de todos os segundos.
Aquilo de parlamento (já se sabe) é um Carnaval perfeito. Isto de açambarcadores um Carnaval é.
E todo o mundo anda mascarado e a jogar o carnaval. Uns jogam a vida, outros a honra, estoutros os semelhantes, aqueloutros a Pátria.
E há mascaras então por este mundo fora – santo Deus! – que são capazes de fazer de José Júlio da Costa um benemérito da fraternidade e de Afonso Costa um frade mendicante!!!
Não se torne pois, a falar em arnaval só de trez dias! Não se ande a cansar o calendário nem a dar cabo da cabeça para calcular o tempo do Carnaval no transcurso do ano!
Bom Carnaval temos nós todo o ano, graças a Deus! E mal nos ia a nós se este carnaval se resumia ou acabava que se não pudesse jogar mascarado pelo ano fóra!...
A Canalhocracia, ali da folhéca, tornava tamanha indigestão de salas de visita e casinhas que ainda d’aqui a um ano havia de saber ás casinhas!
Assim felizmente! – não há a lamentar desastres de maior, e lá de quando em vez for maior o arroto… isso são coisas que acontecem.
E se estamos em Carnaval, tudo se desculpa. Ora se não havia de desculpar…! Pois está visto. É Carnaval?! – é Carnaval!...”

C.

In: jornal “O Fafense”, 9 março 1924

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