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17 de junho de 2012

BRUNO LAMEIRAS UMA VERDADEIRA FORÇA DA NATUREZA





O jovem Bruno ficou privado de locomoção com apenas quinze anos de idade. Um traiçoeiro” salto de bicicleta atirou-o para a cadeira de rodas. O apoio de amigos, familiares e uma enorme força interior, evitam que o jovem cedesse à doença.
Bruno Lameiras é “uma força da natureza”, um ser humano enorme que não quis empenhar o seu futuro, encarando-o, todos os dias, com bravura e grande vontade de viver.
Bruno “devora” livros e manuais especializados, estuda até à exaustão porque quer, um dia, ajudar a melhorar a qualidade de vida dos paraplégicos.

Bruno Emanuel Teixeira Lameiras nasceu há dezoito anos na freguesia de Medelo. Filho de controladora de qualidade e instrutor de condução, foi em Estorãos que completou o ensino básico, transitando depois para a Escola Professor Carlos Teixeira.
Bruno foi um menino como tantos outros: um aluno razoável que teve uma infância feliz. “Com dez anos juntei-me a um grupo de amigos adeptos do Downhill. Construíamos pistas nos montes e era a nossa maior diversão”. Para além das bicicletas, o jovem Bruno praticou: futebol, andebol, natação e Karaté. “Fazia muito desporto,” lembrou.
Na Escola Secundária teve a sorte de integrar uma turma muito unida que viria a dar-lhe um forte apoio após o acidente.
“O salto era pequeno e fácil de transpor… facilitei e tive uma queda aparatosa que não imaginei poder acontecer”



Dia 31 de Março de 2009, pelas 16 horas, o Bruno não conseguiu dominar a sua bicicleta e sofreu um acidente que viria a condicionar a sua vida.
Já no Hospital, após os exames, foi-lhe diagnosticada uma lesão vertebro medular que, aos quinze anos de idade remeteu o jovem para a cadeira de rodas.
“As pessoas mais velhas mostram pena quando passam por mim … isso afecta-me bastante, mas apesar disso tive poucos momentos de crise”
Bruno confessa que só um ano depois do acidente acreditou que ficaria imobilizado dos membros inferiores. “No início não gostava de sair de casa, tinha vergonha”. Gradualmente, com o apoio de amigos e familiares, destacando os pais e seu melhor amigo Romeu, foi-se adaptando a uma realidade incontornável. Bruno Lameiras não esquece também a enorme ajuda de muitos fafenses anónimos que simpaticamente aderiram à campanha de solidariedade organizada “pelos amigos do meu pai”. “Estou muito grato a todos aqueles que, de alguma forma contribuíram para melhorar o meu dia-a-dia”, deixando uma palavra de carinho e reconhecimento à sua namorada, Sara.
Bruno ficou desiludido por não poder realizar o seu sonho: ingressar na Força Aérea ou na Marinha. Lamenta não continuar a praticar Karaté, mas afirma que, “há vida depois do acidente e agora sei que nunca estamos sós”.
“Há pessoas que desistem de viver, eu quero ser independente”




Com dezoito anos de idade, toda uma vida pela frente, incentivado pelo vendedor da sua cadeira, Bruno está actualmente a terminar o primeiro ano do curso de Engenharia Biomédica na Universidade do Minho. Aprendeu a gostar desta área porque ajuda-o a compreender melhor o seu problema. O jovem universitário quer, um dia, continuar os seus estudos nos Estados Unidos da América e, se for possível, dedicar-se à investigação visando desenvolver novas tecnologias que ajudem a melhorar a qualidade de vida dos paraplégicos.
“As cidades ainda têm muitos obstáculos arquitetónicos”
Bruno Lameiras lamenta que em Fafe, como em outras cidades ainda existam obstáculos e carência de equipamentos que não facilitam a mobilidade das pessoas com dificuldades de locomoção.
“ Para tirar o Cartão de Cidadão o meu pai teve de carregar-me ao colo. Há estabelecimentos que utilizam os sanitários adaptados para armazém e encontramos rampas tão inclinadas que, para nós, são intransponíveis sem auxílio de alguém. A Câmara Municipal tem feito algum investimento na área da mobilidade, mas ainda há obstáculos que nos complicam a vida, sobretudo em alguns edifícios públicos”
Bruno Lameiras é um jovem forte e perseverante, o melhor exemplo para todos aqueles que se deixam dominar pela doença. Uma invulgar energia interior leva-o a seguir o caminho que escolheu e pretende levar até ao fim. “Os obstáculos arquitetónicos que todos os dias tenho de enfrentar não impedem que continue a viver e a sonhar com um futuro melhor, para mim e para todos aqueles que tiveram a mesma infelicidade… à sempre alguém que está connosco, disponível para nos dar a mão”.


 Fotos: Sara Martinho






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