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3 de junho de 2012

VIDA DE PALHAÇO - O DESPERTAR DE UMA VOCAÇÃO LATENTE




Armando Jorge Sousa Freitas nasceu há trinta e oito anos na freguesia de Antime, filho único de um casal de operários.
Como qualquer criança, confessa ter feito muitas traquinices, também na escola que frequentou até aos doze anos de idade. “Sempre que podia ia ao circo, só para ver os palhaços, eles fascinavam-me.
 “Mal saí da escola comecei a trabalhar”. Como aprendiz de serralheiro mecânico o menino Jorge não teve vida fácil, “os mais velhos batiam-me com frequência e detestava andar sempre com as mãos sujas”. Aos quinze anos de idade sofreu um aparatoso acidente que lhe provocou várias fraturas, motivando o abandono da sua primeira profissão. Como diz Armando Jorge: “passei do preto para o branco e durante muitos anos trabalhei como estucador. Ganhava bem mas atingi um ponto de saturação que inclusivamente me conduziu a um estado depressivo. Sempre fui uma pessoa divertida… mas naquela altura não andava bem”, confessou.






Tudo começou em Antime onde idealizei e realizei variadas festas no seio do Grupo Coral. Foi lá que aprendi a enfrentar o público.

Foi no seu torrão natal, Antime, entre os seus amigos mais chegados que Jorge “Sombra” revelou aquela que afirma ser a sua verdadeira vocação. Como membro do Coral da freguesia, foi desafiado a dinamizar festas, destacando, sem esconder alguma emoção, o seu amigo Abraão Lucas, “seu principal incitador”, lembrou.
Durante algum tempo, acumulou a sua profissão com os estudos, nomeadamente: completou o RVCC (Novas Oportunidades), tirou um curso de inglês e obteve a melhor nota (19 valores) em um outro curso Sócio Cultural.
Estavam criadas as condições para “dar o salto, e senti que estava na profissão errada”. Foi nesse momento que surgiu o palhaço “Xombita” nome inspirado na sua alcunha, (Sombra).
Quando apresentou o seu projeto aos amigos e familiares ninguém acreditou, “acharam todos que era mais uma brincadeira”. Mas não era… uma força irredutível preenchia o generoso peito deste jovem e nada ou ninguém poderia mudar o seu caminho, uma vocação adormecida que admite vir-lhe do avô materno, homem igualmente muito divertido.
E foi assim que em um rápido abrir e fechar de olhos, Jorge “Sombra” assume a personagem do palhaço “Xombita” que rapidamente “contagiou” milhares de crianças de todas as idades.



Só me arrependo de não ter começado mais cedo.

Começou com uma simples mala carregada de fantasias para encanto da pequenada que pouco a pouco forjou a fama de um palhaço fafense que durante muitos anos, contra a sua vontade, recalcou o seu “destino”. “Só me arrependo de não ter começado mais cedo”, desabafou o artista que não esconde a sua preferência pelas atuações em palco. “Quando no ano passado vi à minha frente mais de duas mil crianças gritarem o meu nome fiquei com pele de galinha, é em momentos como aquele que o nosso trabalho é compensado. Ouvir milhares de crianças cantarem as minhas canções dá-me a certeza de ter escolhido o caminho certo e uma satisfação indescritível… as crianças são o melhor que há no Mundo. É para elas que renovo, recrio e tento aperfeiçoar os espetáculos”.
 Xombita não pára de surpreender, com novos números e canções que ficam no ouvido de todos. Artista humilde, versátil e generoso, multiplica as suas personagens ao gosto dos clientes fazendo o seu trabalho até à exaustão. Há crianças que ainda mostram medo dos palhaços. “Não descanso até conquistar a simpatia dessas crianças, cujos pais, muitas vezes intimidam os filhotes dizendo: se não comeres a sopa toda vem aí o palhaço”.
“Xombita” é hoje uma figura incontornável no panorama artístico fafense que já conquistou outros públicos, um pouco por todo o Norte do país, onde é cada vez mais solicitado. Contudo o palhaço é da Terra e não se cansa de afirmar que o seu sucesso deve-o aos fafenses por quem nutre forte admiração e reconhecimento.
Para finalizar esta “fantástica” história de vida, aqui resumida, direi que Armando Jorge Freitas é um exemplo de força e perseverança, um jovem que foi à luta e perseguiu os seus ideais, convicto que um dia o seu sonho se tornaria uma realidade: dar o seu humilde mas importante contributo para um Mundo mais alegre, refletido nos rostos sorridentes das crianças.




1 comentário:

Unknown disse...

Sem dúvida que és o melhor artista das redondezas. A prova disso está na carinha de felicidade do meu filho Joao quando te vê na pele de Xombita! Continua assim!