NAVEGUE PELO BLOGUE

22 de julho de 2012

PROSTITUIÇÃO DE RUA EM ALTA



Mulheres que venderam o corpo ao diabo”

Em Fafe, a mais antiga profissão do mundo parece estar em alta. Dezenas de mulheres vão para a borda da estrada e “alugam” o seu corpo aos abundantes clientes. Homens à procura de uns repentinos minutos de prazer sexual.
Estas mulheres, tantas vezes obrigadas a prostituir-se, não têm vida fácil. Muitas são atraídas pelo lucro rápido, que nem sempre acontece.
Contudo, estamos perante uma faixa de economia paralela, que em Fafe, tem alguma relevância. Um “fruto proibido saboreado” à luz do dia que tem cada vez mais procura.





O Noticias de Fafe acompanhou de perto a prostituição de rua e passou duas tardes em um dos pontos do concelho onde se concentram mais de uma dezena de prostitutas. Mulheres com idades variadas, dos 18 aos 50 anos. Mais ou menos vistosas, magras ou gordas, bonitas ou feias, alguns corpos esculturais, quase sempre pouco vestidas, lá estão sentadas em bancos improvisados ao longo da “estrada do pecado”, ostentando os seus atributos físicos, desafiando os automobilistas que passam.

Abordámos Maria de Lurdes, portuguesa e Juliana, brasileira, (nomes fictícios). Duas histórias de vida distintas. Lurdes confessou que caiu na prostituição para poder tratar o seu filho, vítima de uma doença grave. “Foi nesta vida que arranjei os dez mil euros que tive de pagar pela operação, fora os tratamentos que são muito caros… de outra forma não conseguia salvá-lo, afirmou Maria de Lurdes com as lágrimas a escorrer-lhe pelo rosto moreno das muitas horas passadas sob o sol intenso do verão, à espera que chegue algum que “bote abaixo”, como ela exprimiu.
Esta mulher, a tocar os 40 anos de idade, desabafou com amargura e muita revolta, que “a Segurança Social do nosso país dá muito mais apoio aos drogados. Esses têm tudo facilitado. A nós ninguém nos ajuda, se não andássemos na vida, morríamos de fome”, exclamou.




E como funciona a vida profissional destas mulheres?

Logo pela manhã dirigem-se para o seu posto, transportadas por um homem a quem pagam “mais ou menos vinte euros semanais, cada uma”.
Na espectativa de uma jornada proveitosa, acomodam-se nos seus manhosos assentos esperando pelos clientes que não tardam a chegar. Os interessados abordam as mulheres e negoceiam o serviço. Os preços variam entre os 10 € e os 30€. A quantia mais elevada é “para terem sexo anal, praticado apenas pelas mulheres mais jovens”, explicou Lurdes. Acordado o preço, pago antecipadamente, e o tipo de serviço, a prostituta entra no carro do cliente e dirigem-se para local mais recatado, naquele labirinto de caminhos carreteiros.
“Alguns são aviados em dez minutos, outros levam um pouco mais… por vezes aparecem clientes que nos deixam algum dinheiro extra, mas isso não é para todos, disse Maria com um sorriso nos lábios… e mais não disse, porque a GNR acabara de passar por ali, advertindo as mulheres para abandonarem o local. “Estão a fazer o trabalho deles”. “Nós não fazemos mal a ninguém, estamos aqui para ganhar a vida, não somos criminosas e quem vem procurar-nos não é obrigado,” afirmou.



“100 Euros de ganho é um dia fraco”

Juliana, pouco acima dos trinta anos de idade confessou-nos que veio do Brasil para prostituir-se. Ao contrário da maioria das “mulheres da vida”, esta jovem não teve desilusões amorosas ou qualquer outra situação mais complicada, a não ser as condições precárias em que vivia no seu país de origem.
Juliana afirma escolher os locais onde o seu voluptuoso corpo render mais. O objectivo é ajudar a família e regressar o mais brevemente possível.
Questionada sobre a faixa etária dos homens que frequentam o “bordel de ar livre”, Juliana respondeu que a grande maioria são de meia-idade, “os mais novos aparecem pouco”, disse a jovem prostituta, enquanto, impaciente, espreitava a estrada esperando ver chegar o próximo cliente.
Garantiu que só trabalha com preservativo, “até para uma masturbação… se ele não quiser assim, que a faça sozinho”, frisou a nossa simpática entrevistada que, apesar de tudo, tem conhecimento de algumas colegas de profissão fazerem sexo sem protecção.
Juliana não hesitou em declarar que “um dia que faça apenas 100 Euros, é um dia fraco.”
O Notícias de Fafe constatou, no terreno, que o movimento é grande. Uma das mulheres observadas foi com três clientes em pouco mais de meia hora. Um sinal evidente da crescente procura da prostituição de rua, também por cá. Apesar da exposição pública, em pleno dia, com enormes carências de higiene, há muitos homens que preferem estas mulheres “guardiãs da estrada” que um dia, por algum motivo, “venderam o corpo ao diabo”.



20 Julho 2012




1 comentário:

Luís Peixoto disse...

Excelente trabalho, infelizmente é a realidade