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12 de agosto de 2012

"VIDA DE MÁGICO"


“Sem nada na manga”

O “Mágico de Fafe” é o nome artístico de Aníbal Augusto Moura Gonçalves, mais conhecido por Aníbal Nunes. Filho de “negociante de terrenos” e de doméstica nasceu no lugar de Real na freguesia de S. Gens em 1958.
 Foi uma criança pacata como tantas outras que, na época, frequentaram a Escola de S. Gens. Todavia, o menino Aníbal tinha um “jeito” especial, uma habilidade manual fora do comum, uma aptidão que diz ter nascido com ele e não é hereditária. Na escola, lembra-se de ter partido uma caneta em frente ao professor, mostrando-lha, intacta, antes da inevitável reprimenda;” na altura pensei que levava um estalo, mas felizmente tal não aconteceu”.
Atento ao mundo que o rodeava o jovem Aníbal Augusto foi atraído pelos truques que os mais velhos faziam. O fascínio pelo ilusionismo, ou se quisermos, pela magia, levou-o a aprender e aperfeiçoar muitos jogos de ilusão, mesmo no seu inconsciente: “numa altura em que desenvolvia um número com cordas, cheguei a sonhar com elas enroladas ao meu corpo”.
Aníbal Nunes enveredou pela profissão de bate chapas e pintor de automóveis, ocupação que mantém na actualidade.



Com vinte e tantos anos de idade “lancei-me no universo do espectáculo como mágico. Com humildade e muita dedicação “O Mágico de Fafe” foi, pouco a pouco, singrando na sua carreira artística, participando em congressos de magia em diversos pontos do país. “O de Valongo é o único que se realiza nos dias de hoje. Aprendi muito nestes certames e conheci ilusionistas famosos”. O mágico Nunes revelou ao Notícias de Fafe que “Mike Magic” de Mafra é a sua grande referência e inspiração, um mágico extraordinário que ajudou o conhecido Luís de Matos a chegar à ribalta.
O “Mágico de Fafe” realiza espectáculos há mais de trinta anos. Actualmente é mais solicitado para actuações fora do concelho de Fafe. “Santos da casa não fazem milagres”, desabafou o artista fafense com alguma mágoa. Trabalha em bares, restaurantes e em todo o tipo de eventos sociais.



O tempo de tirar o coelho da cartola já lá vai, “o bicho mijava muito”, desabafou o mágico com ironia. Agora trabalha com cartas, cordas, argolas, rolas e muitos mais truques; hipnotiza a sua vistosa “partner” Sizalda fazendo-a levitar para espanto de um público sempre atento à procura do segredo de uma magia expedita que poucos conseguem desvendar.
“Tenho um leque muito variado de truques que os clientes podem escolher a seu gosto”.
Este versátil semeador de ilusões que mesmo em época de austeridade, multiplica por dez uma nota de 5 Euros é o único mágico existente em todo o concelho de Fafe. Afirma gostar das suas actividades profissionais, mas confessa que a magia dá-lhe um gosto especial. Adora trabalhar para crianças. “Elas estão sempre atentas e são o meu melhor público… e adoram aprender alguns truques que faço questão de ensinar-lhes”.



O mágico revelou que também lê as cartas… “mas só faço isso para os amigos mais chegados”.  
Com mais de três décadas de carreira artística, Aníbal Nunes tem muitas histórias para contar: “Em um dos meus espectáculos, uma rapariga abordou-me, perguntando-me se eu conseguia tirar-lhe as cuecas. Eu disse-lhe que sim e mostrei um “fio dental” que por coincidência era igual ao que a jovem usava. Ela arrancou-me as cuecas da mão e desatou a fugir!”



O ilusionista Nunes afirma continuar a sua actividade até que a “saúde o permita” e está aberto a ensinar outras pessoas que queiram seguir esta carreira artística com reminiscências circenses que se perdem no tempo e talvez por isso mesmo existam cada vez menos ilusionistas ou mágicos; homens e mulheres que proporcionam momentos encantadores onde tudo se transforma, desaparece e aparece com um simples estalejar de dedos ou proferindo as palavras mágicas que nos transportam para um universo de ilusão, um “engano” inofensivo com grande carga enigmática que inevitavelmente cativa um público sempre curioso pelo segredo que envolve cada magia. O “Mágico de Fafe” é um homem simples que soube desenvolver uma dádiva sobrenatural que utiliza como entretenimento, desviando-nos de uma realidade cada vez mais difícil de encarar.



Aníbal Nunes cria e recria ilusão, derrama magia… o segredo é a chave que o público não deve ter acesso. De outra forma perder-se-ia a atraente viagem ao mundo da ilusão, sem nada na manga.






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