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17 de setembro de 2012

"POR S. BENTO" (Há 118 anos)


 

"Lá tem continuado, com o maior afan, a chinfrinada das câmaras.
Os escândalos vão apparecendo sucessivamente, e os trombeteiros ou gaiteiros monarchicos continuam degladiando-se mutuamente. (…) seguese a antiga rotina. Descobre-se uma roubalheira, que para bem das nossas finanças nunca seja inferior a dezenas de contos de reis, procede-se desde logo a um inquérito, nomeia-se uma comissão e eis já quase sanada a falcatrua.
 
Os inquéritos parlamentares têm já  exoberantemente e por muitas vezes provado a sua improfiquidade;  e, para mais compenetrados ficarmos d’isso, basta dizer-se que elles terminam quasi sempre por votações politicas, por sobre as quaes se estende o elástico manto monarchico ficando todos os escândalos reduzidos ás mais beneméritas acções e os seus autores metamorphoseados  miracolosamente nas melhores creaturas, nos mais arrojados salvadores da pátria.
Uma comédia, tudo isto, e um meio bem fácil e por demais acommodado para engodar o povo (…) E assim, n’este  charivarismo medonho e ridículo, se continua a discussão na câmara dos deputados, sem que se ocupem d’uma cousa seria e que possa dar ao paiz alguma utilidade.
(…) Para quê descobrir roubos se os seus autores ficam sempre impunes e ainda por cima rindo-se sarcasticamente da ingenuidade dos acusadores?
(…) Finalmente, não vale illudir-nos, tudo isto que se etá passando nada mais demonstra que a podridão e a miséria a que está reduzido o chamado parlamento portuguez. (…) Uma súcia de hypocritas que assim tentam enganar a nação.
E o povo, quando se compenetrará do terrível jogo?
Quando se esbalhará da lethargia que há tanto tempo lhe obscurece o espírito?
Accorda, besta!"
IN: Jornal “O Desforço” Semanário republicano de Fafe (extinto)
Transcrição parcial do texto original datado de 28 de Novembro de 1894.
 

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