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6 de outubro de 2012

O "CALVÁRIO" DE FAFE"

Jardim Público em inícios do séc. 20


O “Calvário” de Fafe, lugar sagrado, cuja origem perde-se no tempo, guardião do “Vale das Estevas”, miradouro privilegiado para as serranias, o pequeno promontório é o ponto mais elevado da cidade de Fafe.




Durante muitos séculos, transeuntes da “estrada real”, que ligava a velha “Vimmaranes” à Vila medieval, cabeça do clássico concelho de Monte Longo, comtemplaram o “Calvário”, onde já existiria um pequeno templo, que no século XVIII era votado a Santa Luzia, demolido na centúria seguinte. Em 1890 o executivo camarário mandou “despejar” os habitantes dos prédios do Calvário para ser construído o “passeio público”. Um jardim exótico de influência brasileira, que foi inaugurado em 26 de Dezembro de 1892. Albino de Oliveira Guimarães um dos maiores altruístas “brasileiros” de Fafe foi o grande impulsionador deste jardim romântico. Um dos mais emblemáticos melhoramentos de uma Vila em pleno desenvolvimento, muito pela acção filantrópica de fafenses “brasileiros” de torna viagem.



O barco do Jardim do Calvário anos 30/40 séc. 20


O “passeio público” foi orgulho dos fafenses ao longo de muitas décadas. Foi destino obrigatório, mormente em tardes de Domingo. Um ponto de encontro para todas as classes sociais.



Em inícios do século XX, o edílico jardim do Calvário era o recreio de ar livre da Vila; o barco, trazido da Póvoa de Varzim, não tinha descanso no acanhado lago; no coreto, as bandas de música animavam o ambiente delicioso, onde casais de namorados trocavam olhares indiscretos sob a discreta vigilância paterna. Foi um tempo distinto, em que os fafenses valorizavam e sentiam orgulho nas conquistas públicas, na afirmação de uma das mais prósperas Vilas da região. O bairrismo estava presente, a velha “justiça de Fafe” era motivo de vaidade, um cartão-de-visita apreciado por cá e além-fronteiras.



Jardim Público, 1º quartel do séc. 20


O centenário Jardim do Calvário foi, por ventura, local de inspiração para outros empreendimentos em uma Terra em expansão, havida de progresso, legitimamente orgulhosa dos seus filhos que tanto trabalharam para o seu engrandecimento.



Em 120 anos o jardim do Calvário foi alvo de algumas intervenções, que, felizmente, não alteraram o “romantismo” do nosso mais belo espaço natural para lazer. O pulmão da cidade.



Falta-lhe a concorrência de outros tempos, a animação que há muito deveria ter sido incrementada: recriações epocais, concertos de música, bar, tertúlias, cinema de ar livre, retoma do barco de recreio e outras actividades que dinamizem aquele “oásis” em pleno centro urbano, que deveria ser valorizado e melhor frequentado. Mais importante que as placas comemorativas de “inaugurações” intemporais, seria colocar informação histórica do principal jardim da cidade, um legado patrimonial que, decorridos 120 anos perdeu a pureza de outrora.


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