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7 de novembro de 2012

ORLANDO POMPEU NA PRIMEIRA PESSOA






Orlando Pompeu nasceu na freguesia de Cepães em 24 de Maio de 1956, filho de negociante em mercearia e bebidas. Pompeu acredita que o seu dote para a pintura vem-lhe do berço e lembra com muito carinho o incentivo dos pais e professores para seguir estudos na vertente das Artes. “Desde muito novo queria ser artista; arquitecto, músico, escultor… acabei por enveredar pelas Artes Plásticas, o que me dá imenso prazer. Com catorze ou quinze anos supervisionava os desenhos dos meus colegas de escola que recordo com muita afeição, lamentando que muitos deles não tivessem a minha sorte”.
Primeiro no Porto, depois em Barcelona, Pompeu estudou e pintou, começando a manifestar a sua forte aptidão para a arte pictórica.


Em 1978 realizou a sua primeira exposição individual em Fafe, apresentando telas hiper-realistas muito apreciadas, que lhe abriram as portas de Paris onde trabalhou e expôs em diversas ocasiões. A mostra no Centro Português da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1987, foi a sua rampa de lançamento para uma carreira artística que o levaria até aos Estados Unidos da América e ao Japão, onde mantém galeristas. O contacto com outras culturas e realidades artísticas estiveram na origem da sua evolução pictórica. “Se continua-se a fazer telas hiper-realistas, que aliás me davam muito dinheiro, teria cristalizado. As pinturas gestuais e concepcionais deram-me um cunho pessoal apreciado um pouco por todo o mundo.”
Mestre Pompeu afirma nunca ter pintado por encomenda, “nunca o fiz e jamais o farei, tive já várias propostas nesse sentido, mas quando me pedem para pintar esta ou aquela cor, este ou aquele motivo, perco logo a vontade de o fazer”. O artista gosta de conceber obras originais, criadas pela sua imaginação, muitas vezes inspiradas na sua aldeia. Exterioriza os seus sentimentos na tela, criando “uma espécie de monólogo”, reflectindo estados de espírito e “aconselhamentos da natureza”. Referiu ter algumas influências: Da Vinci, Dali, Nadir Afonso, Júlio Resende e Cargaleiro, foram os citados.   
Em 1998 o Município de Fafe, reconhecendo a sua celebridade, agraciou o artista com a Medalha de Ouro de Mérito Concelhio. Um galardão que orgulha o pintor, que em momento algum perdeu de vista a sua terra natal. “A minha aldeia de Cepães é o meu refúgio, é lá que resido e espero ficar até o fim dos meus dias”, confessou.


 Orlando Pompeu é um ser humano amigo e solidário, muito preocupado com o destino de Portugal na actual conjuntura politica, económica e social. As suas recentes obras de sátira política são disso reflexo. “Os artistas não podem ser insensíveis à dor e ao sofrimento humano”, exclamou o mestre que, confessou não gostar muito de ler jornais e ver televisão.
Considera-se um homem rico, pela família e lar que conseguiu formar e mantém com muito amor. No aspecto económico afirma ser um remediado que vive confortavelmente. 


“O Centro Cultural Orlando Pompeu foi uma ideia minha que, no imediato, está posta de parte, pelos custos elevados e por saber que Fafe tem outras prioridades”.


O sonho de Orlando Pompeu é ver a sua obra depositada em Fafe. Há uns anos surgiu uma proposta que implicava a atribuição de um subsídio vitalício de 2.000 Euros mensais que o Município pagaria até à morte do casal. Foram muitas as vozes contraditórias e o negócio não foi concretizado. Orlando Pompeu afirma que estão em causa 300 pinturas sobre tela e mais de 5.000 desenhos, “são os meus filhos pictóricos que representam mais de três décadas de intensa produção artística que quero guardar para a minha cidade. Já tive propostas de compra de algumas dessas obras de um senhor endinheirado do Dobai, exportador de petróleo, mas o dinheiro não é o mais importante e quero que esses quadros fiquem na terra mãe”, confessou o pintor.
Confrontado com o “boato” que já estaria a receber dinheiro da Câmara Municipal, Pompeu desmentiu categoricamente; nem um euro! Exclamou. “O que é verdadeiramente importante é o Município de Fafe adquirir a minha obra, o resto é o mais fácil, porque certamente não iremos viver para sempre neste marasmo cultural, politico, social e económico. Eu prefiro vender a minha obra por um sexto do seu valor à minha cidade a vê-la partir para o Dubai ou para qualquer outro lugar pelo seu real valor comercial”.



O executivo Camarário, pela voz do seu Presidente, José Ribeiro, admitiu estar a estudar uma outra forma que viabilize a manutenção da obra de Orlando Pompeu em Fafe. “O Pompeu é de Fafe e a sua obra tem de ficar em Fafe”, afirmou o líder autárquico na inauguração da Mega Exposição patente ao público, considerando-a o regresso do reconhecido artista fafense às suas origens. “Estamos a puxá-lo para Fafe”, afirmou, na mesma altura José Ribeiro.


“Sou um pouco excêntrico e não importo nada de ser comparado com o genial Einstein”

Orlando Pompeu é um homem afável, sensível, generoso, pacifista, solidário, bom conversador, culto, que gosta de reencontrar amigos e conhecidos de infância pelas ruas do seu torrão natal. Confessa que não gosta de velocidade, até porque, quando conduz, gosta de apreciar a natureza, as paisagens e os pormenores que também são fonte de inspiração para os seus trabalhos. Considera-se algo excêntrico, detesta a vulgaridade e não se importa nada de ser comparado com a figura de Einstein. Teve formação católica mas há muito deixou de frequentar missas. Tem, um enorme fascínio pela mãe natureza, abraça a vida com optimismo e talvez por isso tenha receio ao sofrimento e à morte. Idolatra a sua família: a companheira que chama “mamã” e os seus dois filhos. Não é um homem de vícios mundanos, tenta uma maior longevidade cuidando da sua saúde física e mental. É sociável mas tem necessidade de se isolar para concentrar-se nos seus projectos artísticos que classifica de “originais e genuínos”.   



“A cultura em Fafe está no bom caminho mas há hábitos que devem ser criados”


Pompeu considerou que a cultura em Fafe é diversificada e existe muita oferta de espectáculos, exposições e outras manifestações artísticas com relevância. Contudo, “apesar do esforço da autarquia, Fafe tem ainda muitas carências ao nível da sensibilidade, da ética, da formação e da educação. No país vizinho, por exemplo, assistimos a longas filas de espera para assistir a um evento cultural”. Na opinião do mestre Pompeu isto acontece pelo facto de pais e professores criarem hábitos culturais nos mais novos. Citando Froid, disse que “a criança é pai do homem”. Se não incutirmos boas práticas nos mais jovens será mais difícil, no futuro, garantir público nas realizações culturais, defendeu Orlando pompeu. 


 Entrevista integral publicada no jornal:
Jesus Martinho

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