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11 de janeiro de 2013

VIDA DE ARQUEÓLOGO

 

 
 João Machado “há muito por fazer pelo património fafense”




João Nuno Barroso Andrade Gonçalves Machado é um jovem natural de Fafe que na sua infância queria ser astronauta, mas, pouco tempo depois, descobriu que a Arqueologia era a sua grande paixão, confessando que os filmes de “Indiana Jones” e outros o fascinavam e tiveram alguma influência no seu percurso académico. “Penso que todos nós temos um pouco de interesse pela Arqueologia. É uma actividade exótica”, considerou.
João Nuno concluiu a licenciatura em Arqueologia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, terminou o mestrado com 18 valores e muito recentemente, defendeu a sua dissertação intitulada “A Terra de Monte Longo na Idade Média Das Origens a 1438” que lhe valeu a nota de 19 valores.
“Tive um convite para dirigir a minha tese para a arte rupestre em Trás-os-Montes mas optei por faze-la em Fafe”
 


Em 255 páginas, o arqueólogo apresenta, de forma sistemática, o panorama medieval das dezasseis freguesias que integraram o antigo Concelho de Monte Longo. O investigador fez um levantamento exaustivo dos vestígios, alguns até agora inéditos que indubitavelmente corresponde a um valioso contributo para o conhecimento da Idade Média em Terras de Fafe. Um trabalho que João Machado elaborou durante mais de dois anos e gostava de ver publicado em livro. Um castelo roqueiro, presumivelmente a principal fortificação das “Terras de Monte Longo”, templos, vias e pontes, necrópoles e sepulturas, são alguns exemplos do património inventariado e estudado neste aturado trabalho, muito além das exigências de “Bolonha”.

“As pessoas gostam do seu património… por vezes não conhece o seu significado, mas pude constatar que a grande maioria dos fafenses aprecia bastante as suas memórias históricas”, frisou.

 “O meu trabalho é apenas o início do que há por fazer pelo património do Município”. Afirma ter sentido algumas limitações, na medida em que não foram feitas escavações arqueológicas no nosso território, citando a excepção do “Castro de Santo Ovídio” que considera “um dos principais monumentos arqueológicos do Concelho. Embora um pouco abandonado, não seria muito difícil melhorar as condições daquele conjunto milenar defendendo a sua limpeza sistemática, efectuar trabalhos de consolidação e conservação das ruínas postas a descoberto nos anos 80 e instalar um Centro Interpretativo vocacionado, sobretudo, para crianças e jovens, que inevitavelmente arrastariam adultos para visitar o povoado castrejo”.

O jovem investigador está em contacto com responsáveis da Câmara Municipal local a quem agradece toda a colaboração prestada para a concretização deste trabalho de investigação.


O arqueólogo João Machado tem já uma experiência considerável, tendo participado, nos últimos anos, em diversas escavações e levantamentos, de Norte a Sul do país. Conhece bem as potencialidades patrimoniais do concelho de Fafe e, afirma que “ainda há muito por fazer nesta vertente”, defendendo a criação de um Gabinete de Património, capaz de gerir a herança cultural fafense. O investigador lembrou, o que se tem feito na freguesia de Aboim, referindo que é um “excelente exemplo que deveria contagiar outras Terras.




“Tenho conhecimento que a Câmara Municipal está a trabalhar na georreferencia de vestígios históricos visando melhorar o novo PDM e dar alguma segurança ao Património local”, informou.

Actualmente, João Nuno, trabalha na inventariação do “Património Imaterial” da “Rota do Românico”, confessando que gostaria de poder dedicar-se mais ao vasto e importante património histórico da sua Terra Natal.


 

 
 11 Janeiro 2013



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