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1 de fevereiro de 2013

O COMPOSITOR NELSON DE QUINHONES






“Não há melhor que sermos o melhor de nós próprios”

Nelson de Quinhones nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, fazendo parte da quarta geração de moçambicanos que foi espoliada e expulsa durante o processo da descolonização em África.
Ainda criança, Nelson regressou a Portugal na companhia de sua avó. Lisboa foi o seu porto de abrigo durante cerca de um ano. “Depois, o meu tio Gonçalo, residente no Minho, sugeriu, “Vocês têm de vir para aqui, para uma vila que está a crescer e é uma promessa, chama-se Fafe”.
Com a família, o pequeno Nelson veio para a então vila de Fafe com sete anos de idade.
Marcado pelas adversidades, o menino, renegado pela Terra que o viu nascer, isolou-se, não brincou com outras crianças e só falava no meio familiar. “Sobredotado, só dava importância às Artes, o resto não tinha qualquer interesse para mim”, lembrou.
Quinhones tem, na sua consanguinidade, ligações à música: “ meu avô gravou discos de canções para Teatro Revista nos anos 20 e o meu pai estudou canto durante oito anos no Luísa Todi… mas não seguiu a carreira de cantor”.
O nosso entrevistado afirmou, porém, que os seus dotes artísticos não são hereditários; “foi algo que nasceu e cresceu comigo”, afirmou.
Estudou composição e piano no extinto Conservatório de Guimarães e em 1990 a Reitoria da Universidade do Porto atribuiu-lhe uma bolsa, para um período de estudo na Villa Medici, em Veneza, pelo trabalho musicológico “A fenomenologia da criação artística em música, na idiossincrasia do povo russo, do século XIV à aurora da revolução”. “ Na altura não aceitei a bolsa e optei por trocar o valor em numerário por livros de estudo na vertente da música”, disse, sorrindo.



Nelson de Quinhones considera-se um criador de “Música de Arte”, onde imprime sensibilidade e paixão, admitindo ter algumas influências líricas, românticas e jazísticas.
“Compor é um impulso energético interno, um processo dinâmico que não visa ser o melhor de todos, mas antes o melhor Nelson possível. Sou mais compositor que interprete”, revelou o artista que escreve desde 1987 um catálogo amplo e coerente, que vai da ópera a obras para grandes e pequenas orgânicas, assim como para instrumentos sós.
Concebeu e fundou a casa editorial Labirinto em 2000. Por esta casa editou, ainda, com o cineasta e artista plástico Nuno Antunes e com o poeta Pompeu Miguel Martins, a obra tripartida e multi-linguística “Tempo de Habitar o Quase Corpo”, onde participa com a longa peça para 2 pianos. Em 2001 publicou, com gravuras do pintor César Taíbo, o libreto para a sua ópera “As Mulheres”, encomenda ao escritor e poeta Pompeu Miguel Martins.

Participou até 2003 na revista audiovisual Águas furtadas, órgão oficial do Jornal Universitário do Porto, com a publicação de partituras.

É membro da American Society of Composers, Authors and Publishers desde 26 de Outubro de 2001.
Em 2002 concebeu e dirigiu a publicação de uma obra antológica do  poeta moçambicano José Craveirinha, para a voz deste como narrador dos seus textos e música sua de câmara. Este processo conjunto é interrompido com a morte inesperada do poeta a 06 de Fevereiro de 2003.



“Em Piano só, apresenta-se só”. Uma antologia de obras do seu catálogo para piano, que consiste essencialmente na apresentação pública de quatro ciclos de peças para piano: Íntimo, Palavras de António Ramos Rosa e as 12 únicas canções de António Ramos Rosa, ciclo de peças para piano e voz masculina, escritas entre 2003 e 2004.

A 18 de Abril de 2009 apresenta em Amarante, com a artista plástica Isabel Ferreira Alves, a exposição, catálogo e CD “A Ponte”, evocação do bicentenário dos quinze dias de resistência na ponte de S. Gonçalo, Integrado nas evocações oficiais da cidade.
A 25 de Abril de 2009 foi convidado pela Câmara municipal de Fafe para inaugurar o recuperado Teatro-Cinema da cidade.




O compositor diz sobreviver com grandes dificuldades. “Quando os artistas não têm reconhecimento a nível nacional e internacional, são postos de lado, tanto mais na conjuntura económica actual, em que, mesmo os famosos reduziram os seus “cachets”… a situação é trágica”, afirmou Nelson de Quinhones, que, apesar das adversidades, continua a perseguir o sonho de um dia poder ministrar aulas de composição musical na Terra que o acolheu e que ama profundamente. Entretanto vai criando os seus trabalhos. “Fafe vai comemorar, em 5 de Novembro de 2013, os 500 anos do Foral Manuelino, “Abertura Montelongo” é o título de uma peça que escrevi e gostaria ver acarinhada pelo Município de Fafe para essa celebração”
Prestes a serem publicados estão duas peças musicais, uma delas destinada às crianças, informou o compositor fafense que continuará a sua luta diária em prol das Artes, esperançado um futuro melhor, onde a Cultura assuma um papel relevante na sociedade portuguesa.







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