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25 de maio de 2013

A LENDA DA BICHA DAS SETE CABEÇAS

A imaginária "Bicha das Sete Cabeças"


As Lendas fazem parte do imaginário popular, de origem ancestral, que por vezes se repetem em áreas geográficas distintas. É o caso da lenda da "Bicha das Sete Cabeças" ainda presente na memória de muitos naturais da freguesia de Ribeiros, mas que também existe na zona de Espinho.

A ORIGEM:


A origem do "bicho das sete cabeças" pode residir na  mitologia grega, mais precisamente na história da Hidra de Lerna. Diz a lenda que a hidra era um monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por Hércules.




A LENDA:


Conta-se que, há muitos anos, num lugar de Moreira de Rei, existia uma enorme cobra (bicha) escondida nos silvedos, que trazia as populações aterrorizadas, pois comia as pessoas e os animais que por ali passavam.
 Os atemorizados habitantes do lugar, hoje denominado «Vale da Bicha» resolveram atear fogo às silvas e, assim, destruírem a bicha... Mas não contavam com uma coisa: a bicha tinha asas e voava!... Voou na direcção de Ribeiros vindo a poisar no lugar do Vinco, onde hoje existe o cemitério... E continuou aí a sua sanha destruidora, começada em Moreira de Rei.


Pequena escultura representando uma
serpente no portal da Casa de Paços
Séc. XIX em Ribeiros.
Contra isto reagiu um senhor da Casa de Paços, que resolveu matá-la. Pegando na sua espada e acompanhado da sua cadelinha, dirigiu-se ao Vinco para matar a bicha... Mas também ele teve uma surpresa: a bicha já não estava sozinha; tivera, entretanto, seis filhos...
 O nosso herói, porém, não desanimou... Mandou a cadela tomar conta dos filhos da bicha e, desembainhando a espada, iniciou a luta com a mãe.
 Entretanto, cada a noite... O nosso homem, temendo que a luz do dia lhe não lhe permitisse acabar a missão a que se afoitara, invocou Santa Maria, padroeira da freguesia de Ribeiros...
 Dirigindo-se ao Céu, exclamou: «Santa Maria de Ribeiros, alumiai-me!»... E uma estrela, descendo do Alto, poisou num penedo e alumiou-o... Então ele, depois de matar a mãe, matou os filhos da bicha... Em seguida, dirigiu-se para casa, deitou-se e jamais se levantou.


Fonte Bibliográfica: COIMBRA, Artur Ferreira, A Terra e a Memória Fafe, Câmara Municipal de Fafe, 1997 , p.326



 A RECRIAÇÃO NAS JORNADAS LITERÁRIAS




Já muito poucos fafenses, digo eu, terão dúvidas relativamente à eficácia das nossas Jornadas Literárias, também no que se refere ao resgate do património dito imaterial. O imaginário popular das gentes de Ribeiros foi trazido para a rua, no fabuloso Cortejo Etnográfico que, no dia 28 de Abril, fechou com chave de ouro as 4ªs Jornadas Literárias de Fafe. Revivendo a velha lenda,  a freguesia dos "Ribeiros" participou no desfile com um engenhoso "carro" recriando a mitológica "bicha das sete cabeças".  

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