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10 de maio de 2014

AS ORIGENS DAS FEIRAS FRANCAS

Feira do gado na Praça do Brasil (Feira-Velha) em inícios do séc. XX


Dizem alguns que a origem das Feiras Francas de Fafe perdem-se no tempo, não sendo conhecida a sua génese.

Pela mão do padre João de Sousa Homem, que escreveu aquela que pode ser considerada a primeira “monografia do concelho de Fafe” em 1736, sabemos que na primeira metade do século XVIII realizavam-se, em Fafe, duas Feiras Francas: Uma no primeiro dia de cada mês e outra nos dias 22 e 23 de Agosto de cada ano. A feira mensal tornou-se franca por “provisão de D. João V que reinou Portugal entre 1707 e 1750. Na feira anual de Agosto, designada de S. Bartolomeu, por ter origem na antiga freguesia de S. Gens, eram negociados todo o tipo de “mercancia” no primeiro dia; o gado estava reservado para o dia seguinte.

A origem das Feiras Francas do 16 de Maio, embora com desfasamento de calendário, poderá residir naquelas feiras setecentistas. Contudo, é apenas uma hipótese, visto não serem conhecidos, até ao momento, elementos mais recuados no tempo, sobre esta temática.

Certo parece ser que a feira anual do 16 de Maio, feriado municipal, com o seu formato lúdico e comercial, associado a uma forte tradição agro-pecuária, começou a desenvolver-se na segunda metade do século XIX.

Em 1886, José Augusto Vieira, autor de “O Minho Pittoresco”, dá a entender que, à época, a feira anual da Vila era predominantemente destinada à transacção de gado.

Reprodução do jornal "O DESFORÇO", 1918


As corridas de cavalos são, aparentemente, uma criação dos finais do século XIX que, até 1896 se realizavam no único dia de feira, o 16 de Maio. Estas corridas eram designadas por “carreiras”, pouco organizadas e com alguma espontaneidade. O jornal “O Desforço” de 1894 refere: “ A carreira provocou gargalhadas aos espectadores, com os atropelamentos da praxe e com os tranbulhões d’alguns cavalleiros. Alguns feirantes ficaram debaixo de cavalos, resultando-lhes d’ahi leves ferimentos”.

Por esta altura havia também muitos desacatos e roubos, pelo que era frequente reforçar a segurança. Mais uma vez “O Desforço” de 1897 relata: …” nesta feira a ordem foi alterada… levantando-se pela volta da tarde um grande barulho, provocado, segundo temos ouvido, por causa da corrida de cavallos. Se não fosse uma força de 30 praças de Infantaria 8, que o sr. Administrador do concelho requisitou para manter a ordem, haveria a registar graves acontecimentos”.


Reprodução: Jornal "O DESFORÇO", 1927


Até novecentos as Feiras Francas de Fafe caracterizavam-se pelos concursos de gado, cavalar e bovino, as corridas de cavalos, barracas com diversões e produtos diversos, as “estúrdias” e as Bandas de Música, do “Alípio” e dos “Bombeiros Voluntários”, atraiam milhares de fafenses e forasteiros ao largo principal da simpática Vila de antanho, que tem nas Feiras Francas uma das suas mais concorridas festas populares onde a tradição já não é o que era…

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