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28 de agosto de 2014

ROMAGEM À SENHORA DAS NEVES PASSA POR SANTO OVÍDIO


Santuário da Senhora das Neves, Lagoa, Aboim

Eis-nos chegados à ultima sexta-feira, antes do ultimo sábado de Agosto, dia do início da romaria da Senhora das Neves que, desde o século XVIII se realiza no lugar de Lagoa, Aboim.

Sempre muito concorrida, a Romaria ao Santuário da Senhora das Neves guarda um ritual que a distingue das restantes romarias da região. Desde muito cedo, antes de o Sol nascer, muitos peregrinos deslocam-se ao interior do templo para colocar uma pequena imagem da Virgem sobre a cabeça para tirar o diabo. 

No início, era o próprio presbítero que fazia o ritual, actualmente, são membros da comissão das festividades que colocam a pequena imagem na cabeça de centenas de crentes que fazem longas filas, ansiosos por se “libertarem do demónio”.


Colocar a imagem da virgem das Neves na cabeça para tirar o diabo 


Antiga imagem da Nª Sª das Neves


Certo é que a Romaria da Senhora das Neves é uma das mais simbólicas e concorridas da região.


Capela de Santo Ovídio em dia de romagem


Não sabemos o porquê, mas a tradição dita que os peregrinos subam também ao alto do Monte de Santo Ovídio e, no interior da capela dedicada ao Santo homónimo, toquem numa pequena imagem exposta sobre uma caixa onde, de seguida, são depositadas esmolas.


Dar esmola a Santo Ovídio, em peregrinação à Lagoa, uma tradição antiga


Há muitas décadas que acontece esta dupla peregrinação à Lagoa e a Santo Ovídio. Nos anos 80 do século XX, dezenas de autocarros “invadiam” o lugar de Santo Ovídio, na ida ou na vinda de Lagoa, aguardando que muitas centenas de peregrinos cumprissem a sua promessa ao padroeiro Ovídio.

 O “Café Estrela” abria as suas portas ainda de madrugada para aconchegar os estômagos e refrescar as gargantas dos romeiros. 

Ao final da tarde, fora do recinto sagrado, cumpridas as promessas, antes do regresso a casa, romeiros juntavam-se no Largo de Santo Ovídio para danças e cantares populares.

 Das malas dos autocarros saíam concertinas, violões, ferrinhos, castanholas, tambores e algumas vasilhas do indispensável verde. Era assim durante todo o  fim-de-semana da Romaria da Lagoa, a pouca distância da Festa de Santo Ovídio no terceiro Domingo de Agosto.


Interior da Capela de Santo Ovídio


Na actualidade a tradição mantém-se, mas a afluência de pessoas é menor. Os autocarros foram trocados por viaturas particulares que, ainda assim, em “horas de ponta”, enchem os espaços de estacionamento. É um vai e vem de romeiros da Lagoa com passagem quase obrigatória por Santo Ovídio, onde mora, lá no alto do Monte Crasto, o advogado dos ouvidos e dos maridos infiéis.



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