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29 de dezembro de 2014

HÁBITOS ALIMENTARES DA RURALIDADE DE ANTANHO



REFEIÇÕES

«São sóbrios os habitantes do concelho e simples nas suas refeições, geralmente em número de quatro: ao almoço, por volta das oito horas, consta de caldo e broa, ou de sardinhas ou bacalhau; no verão bebem um copo de vinho ou aguardente; o “jintar”, às dez ou onze horas, tem um caldo substancial e um prato de presigo: batatas com bacalhau, feijão, arroz ou carne de porco; a merenda, às três horas, varia conforme o serviço: bacalhau ou sardinhas, arroz ou simplesmente cebola crua com broa; e a ceia, já à noite no fim dos trabalhos, é constituída pelo caldo e um copo de vinho, quando o há.




A broa acompanha todas as refeições e é o principal alimento do aldeão.
No inverno, usa-se o mata-bicho, pequena refeição, logo de manhã cedo, antes do almoço, na qual tomam um cálice de aguardente e uma “butcha” de pão.


Em Aboim, dava-se, antigamente, no tempo das malhas, entre o jantar e a merenda, o “buberête”, de vinho e açúcar.
Em Cepães, nos dias de muito trabalho, usa-se entre aquelas duas refeições, outra mais leve, o “antebém”.




Iguarias, só nos dias de festa. No tempo das podas e durante a Quaresma, são muito frequentes as “filhoses”, que se comem de preferência nessa altura, e sobretudo no sábado de Aleluia, o “sábado filhoeiro”, porque só então “biro” (viram, isto é, dão voltas no azeite), segundo crê o povo.»


In: Fafe, Contribuição para o Estudo da Linguagem, Etnografia e Folclore do Concelho de Maria Palmira da Silva Pereira, 1952

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