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19 de janeiro de 2015

PROGRESSO AVANÇA CONTRA PATRIMÓNIO ARQUEOLÓGICO






Povoado Castrejo de Santo Ovídio  cada vez mais ameaçado 


O Povoado Castrejo de Santo Ovídio, em Fafe, parcialmente escavado nos anos 80, classificado como Imóvel de Interesse Público, acaba de sofrer nova “machadada”.





Na transição para 2015 a reactivada unidade fabril instalada entre uma zona habitacional e as ruínas arqueológicas do “Castro de Santo Ovídio”, construiu um novo pavilhão, alargando, quase para o dobro o seu espaço coberto, encurtando a já exígua faixa entre a fábrica e conjunto proto-histórico, posteriormente romanizado.


Alegadamente em zona “non aedificandi”, este monstruoso pavilhão vem poluir ainda mais a paisagem e o ambiente que, naquele local, deveria ser o mais harmonioso possível.

Por outo lado, o que ainda resta das ruínas trazidas à luz do dia, em estado de completo abandono, encontra-se profundamente ameaçado e se não forem tomadas medidas urgentes, o principal conjunto arqueológico do concelho de Fafe acabará por desaparecer.



A crise não pode ser pretexto para a destruição do nosso património, não deve justificar procedimentos, supostamente à margem da Lei.

O património cultural é de todos e todos, sem excepção, temos o dever de o proteger… está consagrado na Lei. Mas, nem sempre a Lei prevalece e se impõe aos interesses económicos, a um progresso não sustentado que, aos poucos, apaga a nossa memória colectiva, legado de um passado ancestral que urge salvaguardar.




O emblemático Monte de Santo Ovídio, com todas as suas potencialidades, tem, ao longo dos anos, sofrido graves agressões, quase sempre, sob a passividade dos responsáveis que nada de significativo fizeram para a valorização de um dos mais antigos testemunhos da história fafense, mesmo às portas da cidade.




Aquela fábrica jamais deveria existir naquele local. Os protestos dos moradores não tiveram consequências positivas. A resposta dos decisores foi, alegadamente, autorizar o alargamento da poluidora unidade fabril, agravando, ainda mais, a qualidade de vida de quem ali habita!



Quanto às ruínas, com o crescente agravamento do seu estado de conservação, mais vale proceder ao seu “enterramento”, escondendo-as sob terra, de onde nunca deveriam ter saído, atendendo ao seu malfadado destino. Cubram-se de uma vez as vergonhas e preservem-se os "restos mortais" das ruínas em “sepulcro”, até ao dia em que os detentores dos poderes valorizem realmente o nosso património arqueológico. 



Fotos: Janeiro de 2015


  

1 comentário:

José Manuel disse...

Se está classificado os responsáveis podem ser accionados judicialmente. Convém vertambém. o que diz o pdm, mas podem começar por apresentar uma queixa junto da Direcção Geral do Património Cultural (Direcção Regional de Cultura do Norte)