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28 de fevereiro de 2018

PALACETE DO CENTRO DE EMPREGO Governo iludiu e descartou









Depois das garantias dadas, em 2016, pelo Ministro do Trabalho, Solidariedade, e Segurança Social, que dava como certa a requalificação do Palacete do Centro de Emprego de Fafe, eis que surge a notícia que, afinal, o referido Ministério não vai fazer obras no imóvel, propondo a sua venda à Câmara Municipal de Fafe.

 Notícia avançada pelo “Notícias de Fafe” refere que responsáveis do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), após uma visita de avaliação do palacete, sondou a disponibilidade da Câmara Municipal para aquisição do edifício pelo valor de 805 mil euros.

Lembre-se que a casa histórica em questão, datada de 1912, exemplo único da Arte Nova da região, foi classificada como Imóvel de Interesse Municipal em 1983, para, logo a seguir, em 1986 a Câmara “alienar” o Imóvel vendendo-o ao Ministério do Trabalho, para instalação do Centro de Emprego de Fafe, que acabou por ocupar as antiga cavalariça nas traseiras do edifício, deixando a casa nobre, sem qualquer utilização, durante cerca de três décadas, até aos nossos dias.

Quando parecia haver luz ao fundo do túnel, e, os mais crentes, pensaram que era desta que aquela pérola do património fafense ia ser restaurada, tudo se complica agora, com esta nova posição do IEFP.

O presidente do Município de Fafe disse ao “Notícias de Fafe” não estar interessado na aquisição do imóvel pelo valor proposto, considerando: “é bonito, temos por ele carinho e estima, mas não é muito funcional, é difícil encontrar um destino, está de gradado e até poderá pôr em causa a segurança das pessoas que por ali passam”.
Raul Cunha disse ainda ao mesmo periódico que “se a Câmara não o adquirir, será colocado em hasta pública”.

Por seu lado, Antero Barbosa, líder da oposição Fafe Sempre, aconselha o diálogo e a renegociação referindo que “a autarquia também tem interesse em instalar bem o Centro de Emprego, num local melhor”, evocando uma permuta “justa”.

O vereador do Fafe Sempre, Victor Moreira, de forma mais incisiva disse ao “Notícias de Fafe” que “Por mim não pagava nada. Eles ainda tinham de nos pagar para recuperar o edifício porque a obrigação deles era ter aquilo conservado”, lembrando que a verba em causa dava para resolver outras situações, nomeadamente, a aquisição da casa em frente ao Teatro-Cinema, a requalificação do antigo Mercado Municipal e ainda as necessárias obras de recuperação no edifício da Casa de Cultura local.

José Batista, do PSD considera que, “É uma oportunidade de ouro para fazermos um pacote mais integrador”. Defendendo a compra do imóvel degradado em frente ao Teatro-Cinema e do Palacete do Centro de Emprego, para instalar a Loja do Cidadão e centralizar os serviços da Segurança Social.

Prevê-se o relançamento da discussão relativa aos vários imóveis históricos degradados da cidade, um assunto sensível, dispendioso, que requer astúcia e engenho do executivo autárquico.

Certo é que não podemos continuar a tapar o Sol com a peneira. É a altura certa para encarar, de forma séria, a questão, suspensa há vários anos, da preservação e requalificação do Património Histórico na “terra mais brasileira de Portugal”.
O Governo, primeiro responsável pela conservação da nossa memória cultural, relativamente ao imóvel do Centro de Emprego, teve uma atitude censurável, comprou, desleixou, iludiu e descartou.


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