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23 de março de 2018

PONTE DE PASSOS TEM ORIGEM ANCESTRAL

Ponte de Passos vista de montante




A ponte de Passos, como estrutura de cantaria (pedra grande esquadrada), já existia no século XVIII. Em 1758, nas Inquirições Paroquiais, é referida uma travessia sobre o Rio Vizela na freguesia de S. Vicente de Passos.

«… Tem mais a ponte chamada de Passos que hé de padieiras de pedra…»
Relatou o vigário Jozé de Freitas Villas Boas em 14 de Maio de 1758, respondendo ao inquérito mencionado.

Em um outro Inquérito Paroquial datado de 1842, o abade António Luiz da Cunha Vieira, relativamente ao rio em S. Vicente de Passos, escreveu: «Há um rio que terá de largura 20 varas (22 metros) chamado Vizela e de profundidade, em partes, 3 varas (3, 30 metros) tem duas pontes chamadas de Passos, feitas em padieira…».
Na imprensa local dos finais do século XIX, sabemos que a estrada entre Fafe e Póvoa de Lanhoso já estava aberta, até ao lugar de Requeixo, em 1893.

Só em 1905 a estrada ficaria transitável até à Póvoa de Lanhoso. Dois anos depois, em 1907, seria terminado o “empedramento” (pavimento em macadame).
Desconhecemos, até à data, qualquer referência à construção da ponte de Passos. Com certeza sabemos que em meados do século XVIII já ali existia uma passagem em cantaria sobre o rio Vizela.

Acreditamos, porém, que a referida passagem tem uma origem mais recuada; admitimos a hipótese de ali ter existido um pontão ou poldra medieval, dada a importância e densidade populacional daquela parcela de território, desde, pelo menos, o século XIII.
Também é possível que, em determinado momento, tenha sido ali construída uma passagem em madeira.


Ponte de Passos vista de jusante

Os elementos disponíveis são muito escassos e, de facto, não é possível conhecer com exactidão a origem daquela importante passagem sobre o rio Vizela.  
Como acontece na grande maioria das pontes históricas, também a ponte de Passos sofreu, ao longo do tempo, algumas alterações, chegando aos nossos dias com uma arquitectura que nos parece poder ser enquadrável no momento da abertura da estrada em direcção à Póvoa de Lanhoso, na primeira metade do século XIX.

Naquela época, a ponte foi certamente alvo de obras de beneficiação que teriam alterado a estrutura do século XVIII, aproveitando, porém, em boa parte, elementos preexistentes.
Estamos portanto perante uma ponte histórica herdeira de uma passagem ancestral sobre o rio Vizela, reconstruída há mais de uma centúria e meia.

A famigerada ponte de Passos é portanto património que deve ser conservado como um testemunho histórico oitocentista com reminiscência ancestral.
Diz-se, agora, que a Infraestruturas de Portugal optou por construir uma ponte nova de substituição, é uma boa solução. Esperamos que a antiga e emblemática Ponte de Passos seja preservada e, se possível, aproveitando os “milhões”, seja alvo de manutenção e valorização… só ficava bem aos responsáveis pela obra!

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