NAVEGUE PELO BLOGUE

23 de abril de 2019

MONUMENTO AO BOMBEIRO FOI INAUGURADO EM 1991



Este monumento que representa a Fénix renascida, símbolo maior dos bombeiros portugueses, foi desenhado por António Manuel Santos Santana, artista natural do Porto, fafense por adopção, autor de importantes trabalhos com destaque para o próprio projecto do quartel dos bombeiros locais. O monumento localiza-se na rotunda do extremo Sul da Av. Do Brasil.

Em 1982, Humberto Gonçalves, na qualidade de Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe e Vereador da Câmara Municipal, apresentou uma proposta para a execução do monumento como uma “(…) homenagem justa, devida e merecida aos Bombeiros de Portugal em geral e aos Bombeiros de Fafe em particular”(…) referia a proposta que só viria a ser aprovada em 22 de Novembro de 1989. No ano seguinte a obra foi adjudicada por um valor de 8.300 contos.

O monumento, em betão armado, sem revestimento, apresenta um espelho de água circular com pequenos repuxos, no centro, a representação da Fénix com cerca de sete metros de altura.

Numa cerimónia muito participada, a coincidir com a comemoração do primeiro centenário da Corporação local de Bombeiros, o monumento foi inaugurado em 19 de Abril de 1991.  

22 de abril de 2019

TEATRO-CINEMA RECEBEU LUCÍLIA SIMÕES EM 1924


Aberto ao público em 10 de Janeiro de 1924, o renascido Teatro da Vila de Fafe, iniciou a sua actividade com duas grandes Companhias de Teatro da época: Aura Abranches e Lucília Simões, esta última apresentou-se no novo palco fafense em Abril de 1924 com a peça «A Rajada».
O sucesso foi de tal ordem que o proprietário da casa de espectáculos, José Summavielle Soares, por reconhecimento, mandou fixar uma placa comemorativa com o nome da famosa actriz e da Companhia teatral acabada de nascer, marcando um importante momento da recente vida do Teatro-Cinema de Fafe.
Há 95 anos, no mês de Abril, após o discurso proferido pelo conhecido médico Maximino de Matos, Lucília Simões, acompanhada pelo seu companheiro, Erico Braga, e restante elenco da Companhia, descerrou a placa, arrancando forte ovação do público presente no átrio do teatro.

Apontamento biográfico

Lucília Cândida Simões Furtado Coelho, nasceu no Rio de Janeiro em 23 de Março de 1879.
Com 14 anos de idade estreou-se no teatro com o papel de Maria na peça, Frei Luís de Sousa da autoria de Alexandre Herculano.
Filha do actor e empresário de teatro, Fortunato Coelho e da actriz Lucinda Simões, Lucília contracenou com destacados actores portugueses do final do século XIX e da primeira metade do século XX.
Em 1923, ano da reconstrução do Teatro de Fafe, casou-se com o actor Erico Braga. Uma união de 13 anos até à separação do casal em 1936.
Lucília Simões teve uma longa e gloriosa carreira artística que lhe mereceu o galardão da Comenda da Ordem de Santiago.
A actriz que encantou Fafe e, por isso, foi reconhecida em 1924, faleceu em Lisboa, com 83 anos, no dia 8 de Junho de 1962.

Fontes: Wikipédia (foto de Lucília Simões), e imprensa local de Fafe.


11 de abril de 2019

A PROPÓSITO DA ICONOLOGIA “JUSTIÇA DE FAFE” Um erro interpretativo?



Desafio o caro leitor a fazer uma pesquisa na Internet sobre a “Justiça de Fafe”. Eu fiz, no Google, e fiquei pasmado com tanto despropósito, tanta ignorância, tanta retórica desprovida de sentido, desfasada de uma realidade evidente que só alguns (poucos) alcançam.
A quase totalidade dos escritos, presumidamente interpretativos da “Justiça de Fafe”, que encontrei fazem a correspondência do monumento concebido nos anos 80 do século passado, colocado nas traseiras do Tribunal, com a conhecida lenda do Visconde de Moreira do Rei. Salvo raríssimas excepções, todos os autores afirmam que o simbolo da “Justiça de Fafe”, materializado em estátua, foi inspirado na lendária rixa, com varapaus, protagonizada por dois deputados nas cortes portuguesas do século XIX.
Alegadamente, a maioria dos autores, repetindo-se, parecem ter uma espécie de miopia intelectual que os impede de enxergar o óbvio.


Reprodução do jornal "O Desforço" 7 Novembro 1907


É evidente que a iconografia da “Justiça de Fafe” nada tem a ver com qualquer duelo entre deputados. O que, claramente, eu vejo é um musculado homem do Povo empunhando um cacete (pedaço de pau, com um dos extremos mais grosso, usado para dar pancada), ameaçando um burguês.
A estátua da “Justiça de Fafe”, já aqui o disse, é uma ligeira recriação de uma gravura datada dos inícios do século XX, publicada em 1907 (O Visconde de Moreira do Rei morreu em 1891).

As lendas são isso mesmo: o imaginário popular que chegou aos nossos dias com versões distintas… não passam disso, e é nesse âmbito que devem ser encaradas, descodificadas, e preservadas como Património Imaterial, tão na moda dos nossos dias.
Portanto, após constactar o óbvio, resta-me continuar a indagar o que terá inspirado o artista, ainda anónimo, que desenhou o símbolo da “Justiça de Fafe” há mais de um século.

Um dia destes darei também a minha opinião sobre a “relação”, quanto a mim, errática entre a “Justiça de Fafe” e o afamado Jogo do Pau (Esgrima Lusitana).





10 de abril de 2019

O SARCÓFAGO DE GOLÃES



Urna funerária pode ter cerca de dois milénios

Na freguesia de Golães, junto à Igreja Paroquial, existe um sarcófago monolítico cuja antiguidade é proposta por Mário Barroca, docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O especialista defende a grande probabilidade de este sarcófago ser romano, (cerca de 2.000 anos). Até ao momento não foi possível conhecer a sua proveniência, contudo há notícias do aparecimento de vestígios romanos relacionados com a existência de uma necrópole (cemitério) naquela freguesia, atestando a inevitável ocupação  durante o período romano, em Golães.
O jornal “A Voz de Fafe”, datado de 19 de Agosto de 1933, publicou um pequeno artigo intitulado “Arqueologia – Um Apêlo aos Habitantes do Concelho”, que, a este propósito, refere o seguinte: “Quando da abertura da estrada de Golães, foram encontrados n’uns terrenos do Sr. Conde de Azvêdo, umas bilhas que faziam parte d’uma necrópole, que bem podia figurar num muzeu, mas desapareceram.
Lembramos à Ex.ma Câmara a conveniência de recomendar, aos encarregados das novas estradas o maior cuidado quando nas escavações apareçam destas preciosidades”.

O sarcófago de Golães tem 2,51 m. de comprimento, 0,80m. de largura média e 0,50m. de profundidade. Foi fabricado num único bloco de granito de grão fino. Tem uma configuração ovalada e vestígios para o encaixe de uma tampa, alegadamente em pedra que, entretanto, desapareceu. Um dos bordos apresenta forte desgaste por ter servido, posteriormente, para afiar armas e/ou ferramentas. Na parte exterior apresenta uma “tabula ansata” rectangular, anepígrafa, que também parece posterior.




Este sarcófago, o mais antigo conhecido no concelho de Fafe até ao momento, foi identificada por Henrique Regalo, técnico da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho que em 1981 realizou o primeiro levantamento arqueológico do concelho de Fafe. Na altura, foi-lhe atribuída uma cronologia mais tardia, nomeadamente medieval. O jovem arqueólogo fafense João Machado realizou em 2010 um trabalho sobre a temática “Sepulturas Medievais do Concelho de Fafe”, trazendo à discussão a cronologia do sarcófago de Golães, certamente anterior à época medieval.

Os vestígios arqueológicos do período romano na freguesia de Golães dão novas pistas para o conhecimento da génese da ocupação humana naquela terra, já conhecida por uma antiguidade recuada à alta Idade Média.
A arqueologia é uma disciplina que nos permite estudar vestígios ancestrais da ocupação humana, desvendando as raízes mais profundas de uma determinada comunidade. No caso concreto de Golães, essa raiz pode agora ser recuada à época romana.



Actualmente o sarcófago encontra-se no jardim fronteiro à Casa Mortuária de Golães


8 de abril de 2019

JUSTIÇA DE FAFE a origem da alegoria




Em início do século XX, da autoria que ainda desconheço, foi criada uma gravura representativa da “Justiça de Fafe”, que, no dia 1 de Novembro de 1907, o comerciante local, Luiz Nogueira Mendes Moniz, lançou em formato de postal ilustrado.
Com várias edições bem-sucedidas, a imagem da “Justiça de Fafe” foi largamente difundida pelo mundo, e continua a manter uma “fama” centenária ainda muito apreciada por fafenses que têm orgulho bairrista e difundem, dentro e fora de fronteiras, este ex-libris local, símbolo da honra fafense…

Nos anos 70 do século XX, também por iniciativa de fafenses emigrantes, surgiu a ideia de construir um monumento para perpetuar o símbolo maior da “Sala de Visitas do Minho”. A Câmara Municipal apoiou, e a estátua foi encomendada ao artista Eduardo Tavares, que, claramente, se inspirou na primeira gravura conhecida criada na primeira década do século XX.

O Monumento da “Justiça de Fafe”, formado por duas figuras em bronze fundido com 2,20m de altura e cerca de duas toneladas de peso, foi inaugurado, nas traseiras do Tribunal de Fafe, em 23 de Agosto de 1981.

O símbolo da honra fafense, da conhecida “Justiça de Fafe” (Com Fafe Ninguém Fanfe) completa, no final do ano corrente, 112 anos. A fama? Essa tem raízes bem mais profundas que, apesar dos intentos, não vão conseguir anular. Os fafenses genuínos, que sentem o torrão natal, querem manter as suas tradições, a sua identidade histórico-cultural.

   

20 de março de 2019

O NEVÃO DE 1900

Excerto do jornal "O Desforço" de 22 de Março de 1900




No dia 20 de Março, há precisamente 119 anos, a antiga vila de Fafe acordou sob um manto de neve. Uma entrada gélida na Primavera.
O jornal “O Desforço” deu a notícia que, de seguida, reproduzimos:
«Nevadas
Depois dos dias de sol primaveris que estiveram e pareciam jamais terminar, fazendo largar os fatos grossos e agasalhos d’inverno, houve tão brusca mudança na temperatura que baixou a ponto de se sentir um frio siberiano que fazia tiritar a valer.
Esse frio veio intermeado com chuvas que nas colinas e serras principaes eram flocos de neve a amontuarem-se; essas chuvas transformaram-se em neve por aqui tambem, aparecendo na terça-feira de manhã os montes circunvisinhos todos brancos. Porem á noite a neve augmentou de quantidade, nevando toda a noite. Hontem de manhã, eram arvores e telhados tudo coberto de neve, apresentando a villa e montes um aspecto lindíssimo; durante o dia cahiram varias camadas de neve, que não pegou nas ruas, por se acharem molhadas. Os montes e serras que se descobrem estão cobertos de neve. Há muitos annos que por aqui não nevou assim.
O frio é intenso.»
In: Jornal “O Desforço”, 22 de Março de 1900



19 de março de 2019

A CAPELA DO HOSPITAL FOI INAUGURADA HÁ 122 ANOS


Em dia comemorativo de S. José, 19 de Março de 1897, o Hospital da Misericórdia de Fafe, abriu as suas portas ao público para festejar o seu patrono, S. José, e proceder à inauguração da nova capela, doada pelo benemérito, brasileiro de torna-viagem, José Florêncio Soares.
O acto, resumido a uma missa cantada e bênção, foi precedido por um desfile de operários das fábricas do “Ferro” e do Bugio, encabeçado pela Banda dos Bombeiros Voluntários de Fafe, que, durante a tarde, tocou no largo fronteiro ao edifício do Hospital.
O semanário “O Desforço” descreveu o novo “oratório”:
«E’ um trabalho lindissimo, d’um gosto artístico extraordinario. Fica á direita do salão aonde se acham colocados os retratos dos benemeritos fallecidos e aonde se realizam as reuniões da meza, e bem mostra que presidiu áquella obra de bom gosto de quem tem interesse pelo engrandecimento d’aquella casa de caridade.
O altar encerra no seu oratório a imagem do patrono d’aquella casa, - S. José – uma imagem nova, tendo á frente uma elegante cruz d’onde pendia um Christo d’uma escultura explendida, ladeada por seis grandes castiçaes. Ás portas ricas cortinas, e na principal, encimada por uma larga bandeira, destacava-se uma combinação de vidro de diversas cores.
O soalho entapetado, e pelas margens diversos vasos de plantas e flores mimosas.
Pela nossa parte registramos aqui a dadiva do snr. José Florencio, porque é digna d’isso.”»
IN: jornal “O Desforço”, 25 de Março de 1897

12 de março de 2019

PIROTÉCNICO PERDEU DUAS MULHERES E DOIS FILHOS EM EXPLOSÕES





Francisco Vieira, proprietário de uma pirotecnia, viu perecer as suas duas esposas e os dois filhos mais velhos, em explosões de paióis.
Aconteceu na década de 30 do século XX, na freguesia de Santa Cristina de Arões.
Em 1931, o pirotécnico Francisco Vieira, vitima do infortúnio, sofreu uma explosão na sua oficina, ceifando a vida da sua primeira mulher e dois dos seus filhos.
Sete anos depois, em fatídica sexta-feira, 11 de Março, durante uma pausa para a merenda, no lugar do Monte das Covas Abertas, em Santa Cristina de Arões, uma “violenta explosão, que se ouviu na vila de Fafe, e em freguesias vizinhas”, vitimou, mortalmente, a sua segunda companheira, Joaquina da Conceição de 34 anos, e deixou feridos, com gravidade, o próprio Francisco Vieira e um seu empregado, Américo Teixeira, de Quinchães.
Os Bombeiros Voluntários de Fafe foram alertados pelo telefone da fábrica da Gaia, encontrando o paiol ainda em chamas, e o triste quadro de uma morta e dois feridos, prestando os seus dedicados serviços”, refere o jornal “O Desforço”, em 17 de Março de 1938, acrescentando que, “o cadáver da Joaquina Conceição foi transportado, perante comovente pranto, ao cemitério da respectiva freguesia, e os dois feridos lá continuam em tratamento no hospital, receando-se pela vida do primeiro”.
Até ao momento, não conseguimos conhecer o desfecho do malogrado fogueteiro Francisco Vieira.

3 de março de 2019

TABERNA DO "CÁTES"


Na Avenida de S. Jorge, ainda sem casas à sua frente, encontrámos um edifício, aparentemente moderno que conserva, na sua fachada, duas portas e duas janelas quase da altura do pé-direito do piso inferior. Uma caracteristica arquitectónica que nos remete para um tempo mais recuado, para a altura da antiga casa de pasto "Parasita", que durante várias décadas negociou vinhos e petiscos.

Hoje, como outrora, a taberna do "Cátes", não tem qualquer identificação na frontaria. As suas portas estão fechadas. Só entra quem conhece.
A fama conquistada ao longo de mais de meio século não carece de publicidade.

Eram 17 horas de uma sexta-feira de Fevereiro quando entrei na taberna acompanhado por um sobrinho.
Ocupámos uma mesa central, e mal tivemos tempo para degustar o verde branco de Amarante até ficarmos rodeados de amigos e conhecidos. Estava na hora certa para a merenda.

O tinto e branco a regar o coelho estufado, ou qualquer outro petisco, foi servido com  simpatia pelo António "Cátespero", actual co-gerente da histórica taberna.



Olhando à volta da acolhedora e concorrida sala, a nossa atenção prende-se no curioso revestimento das paredes. Sobre o lambrim de azulejo, dispõem-se milhares de outros azulejos, com uma incrível variedade de padrões, que se repetem duas ou mais vezes, exceptuando um deles... entre aquela imensa variedade de azulejos, existe apenas um que é diferente e único. Não é fácil identificá-lo!



No canto, ao lado do balcão em granito polido, a entrada "castiça" para a adega, onde, outrora, se ouvia o ranger das torneiras de madeira e o jorrar do precioso néctar para as canecas. 
A modernidade já não permite a utilização de cascarias nos estabelecimentos.

No "Cátes", os telemóveis ficam nos bolsos, e a televisão fica às moscas.
A cavaqueira domina um ambiente de camaradagem. Fala-se um pouco de tudo. Contam-se novas e velhas histórias. Ocupa-se o tempo na companhia de amigos com a cumplicidade da merenda e da botelha.








A antiga casa "Parasita", agora do "Cátes"  é um dos poucos tascos sobreviventes na cidade de Fafe.
Com uma história ainda por desvendar, a velha taberna continua a marcar a diferença, rivalizando com os modernos Snack's... não sabemos até quando...

A taberna do "Cátes", na Avenida de S. Jorge, nº 560, abre de segunda a sábado, entre as 13 e as 20 horas.

E, já sabe... é só abrir a porta e entrar!


28 de fevereiro de 2019

CAFÉ AVENIDA HÁ 110 ANOS


O interior do Café Avenida poucos anos depois da inauguração
Reprodução do Almanach Ilustrado de Fafe



O Café Avenida, a funcionar na actualidade; o de maior longevidade em Fafe, abriu no dia 1 de Março 1909, pouco tempo depois da abertura da "Avenida da Estação", há precisamente 110 anos.
Fundado pelo malogrado António Dias Saldanha Peixoto, em sociedade com Manuel de Freitas Fernandes, o Avenida foi o primeiro Café requintado da vila de antanho; na época, existia apenas um outro café mais antigo, designado por "O Figurão".
Em 1909, em termos de restauração, Fafe tinha cinco hotéis, uma hospedaria e dois restaurantes; um total de doze Casas de Pasto completava o conjunto de negócios onde se podia comer e refrescar as gargantas.
O Avenida foi pioneiro, em Fafe, no conceito de Café luxuoso, uma casa de convivio e diversão, inspirado noutros estabelecimentos existentes apenas em grandes cidades.


A notícia da abertura do Café Avenida no semanário "O Desforço", em 1909





Reprodução do "Almanach Illustrado de Fafe"

António Dias Saldanha Peixoto foi o principal fundador e impulsionador do Café Avenida durante cerca de uma década.



A Primeira publicidade


Reprodução do "Almanach Illustrado de Fafe", 1909




Um testemunho dos anos 50 (séc. XX)

«Era uma sala rectangular com grandes espelhos que reflectiam as lindas mesas com tampos de mármore branco, à volta das quais estavam belas cadeiras construídas em madeira nobre. Ao fundo, do lado esquerdo, para quem entrava no café, havia um belo balcão, atrás do qual estava uma estante de várias utilizações. O bilhar de quatro tabelas antecedia a grande porta que dava para o caramanchão, lindo e ameno recanto onde nas tardes de Verão se bebia um bom verde  acompanhado de petiscos, conversas sobre História, Filosofia e Política. Por isso o Avenida se chamava o café dos intelectuais.
A burguesia culta frequentava-o diariamente e ali convivia com pequenos comerciantes, industriais e gente de todo o estrato social. Dizia-se, aí pelos anos cinquenta, que no Avenida se aprendia a Democracia, a Liberdade, o respeito pelo diferente».

In: “António Saldanha – Lembrar um Homem, de António Teixeira da Silva e Castro, Braga 1998.



Reprodução do "Almanaque Ilustrado de Fafe"

António Augusto da Silva Saldanha foi o mais carismático e distinto proprietário do Café Avenida. O seu humanismo e forte convicção politica antifascista, motivou a inclusão do seu nome na toponímia da cidade de Fafe em 1978.


Este apontamento é uma abordagem superficial de uma investigação em curso, que, oportunamente será publicado.
110 anos de História do emblemático Café Avenida, não se esgotam em poucas linhas...